País deve investir na qualidade do café para não perder mercado
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Raquel Massote 
Belo Horizonte, 3 (AE) - O Brasil terá que ampliar os investimentos na qualidade do café para garantir a ampliação da sua particição no mercado internacional. Estas são as principais conclusões do estudo realizado pelo Programa de Estudos dos Negócios Agroindusriais (Pensa) da Fipe divulgados na Jornada Café com Leite, hoje em Belo Horizonte.
De acordo com a pesquisadora Maria Sylvia Saes, foi traçado um cenário desejável para os próximos dez anos nos quais o consumo mundial cresceria 1,5%, o equivalente a uma produção de 120 milhões de sacas, sendo 20 milhões de café arábica. Neste panorama, o Brasil poderia ter uma participação de 25%, ou 40 milhões de sacas, sendo 15 milhões de sacas destinadas ao mercado interno.
No entanto, alguns pontos ainda dificultam o cumprimento destas metas como a dificuldade em coordenar o sistema para oferecer diferentes qualidades e a irregularidade da oferta do produto, com a variação da produção ao longo dos últimos dez anos. "Os estoques são pouco utilizados par manter a estabilidade das exportações", disse.
Entre as principais oportunidades identificadas para o aumento da competitividade do café brasileiro esta o crescimento do consumo de cafés especiais no mundo. Apenas nos Estados Unidos no ano passado as vendas no varejo de grãos especiais somaram US$ 2,1 bilhões e as bebidas prontas US$ 3,3 bilhões. A importacao de cafes especiais no mercado americano no ano passado chegou a 3,4 milhoes de sacas, sendo que o Brasil participou com apenas 5% do total.
Dessa forma, Sylvia Saes acredita que o Brasil tem condições de produzir as especialidades, desde que os produtores comecem a divulgar o produto para o consumidor brasileiro, busquem o equilíbrio estável para a safra e promovam ações conjuntas para o desenvolvimento de estratégias, visando a valorização do café do Brasil. A outra dificuldade e a concentração do mercado varejista brasileiro, no qual 60% das vendas são re alizadas para grandes supermercados.
Outros obstáculos impostos ao produto brasileiro são as tarifas de importação empregadas por alguns países como os pertencentes a comunidade européia, cuja taxa para o café brasileiro chega a 3,3% e para o café solúvel de 10,5% ate o final deste ano e 9% no inicio do ano 2000.
De acordo com o presidente do Departamento de Corretores de Café da Associação Comercial de Santos, Eduardo Carvalhais, o Brasil e perfeitamente capaz de chegar a produção dos 40 milhões de sacas no futuro, sendo que os principais concorrentes deverão ser o México, Indonésia e Vietnã. A Colômbia devera assumir nichos de mercado e não devera ser um grande concorrente do produto brasileiro.


