Brasília, 29 (AE) - O Brasil deverá fazer nova emissão de bonus no exterior neste semestre. A informação é do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer. "Se as condições de mercado forem tais que sejam favoráveis poderemos fazer nova operação", afirmou ele hoje.
Condições favoráveis, segundo explicou Gleizer, seriam as possibilidades de alongar o prazo da dívida e conseguir um bom preço que sirva de referência para captações do setor privado. O diretor não deu qualquer indicação, no entanto, quais seriam as características do novo papel ou o mercado escolhido para o novo lançamento.
Para fazer a emissão da semana passada, o governo brasileiro pediu à Security Exchange Comission (SEC) norteamericana - equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - autorização para emitir US$ 5 bilhões.
No total, entretanto, o país captou US$ 2 bilhões e trocou mais US$ 1 bilhão de dívida velha por nova. Parte destes papéis foram vendidos para investidores fora dos Estados Unidos. Dessa forma, o Brasil tem autorização para emitir mais de US$ 2 bilhões no mercado norteamericano sem recorrer novamente à SEC.
Gleizer destacou, no entanto, que a nova emissão poderá não ficar restrita a esta facilidade. "Não necessariamente usaremos a mesma autorização", afirmou o diretor.
Sobre os bonus globais emitidos na semana passada, Gleizer destacou que, além da economia de US$ 25 milhões na operação de troca de títulos antigos por novos, o Brasil ainda conseguiu ampliar o leque de compradores.
Segundo explicou, isso foi possível porque algumas instituições proíbem que seus fundos comprem papéis de dívida reestruturada, como os bradies. A operação de troca foi exclusivamente destes títulos. Portanto, a exemplo do que fez nesta última captação, a idéia do governo brasileiro é, a partir de agora, lançar os papéis conhecidos no mercado como "plain vanilla" que têm o pagamento de juros e amortizações mais simples. Uma ou duas vezes por ano, por exemplo.
"Estes papéis são considerados de boa qualidade", justificou o diretor do BC.
Com a emissão de US$ 2 bilhões, dinheiro que deve ingressar no País amanhã (30) e ser incorporado às reservas, Gleizer disse que o Brasil quis evitar os investidores de curtíssimo prazo, os chamados "flippers". Com isso, tentar impedir uma queda do preço destes papéis no mercado secundário.
Desde a emissão, na semana passada, segundo ele, houve uma queda de 1,4% até ontem enquanto os demais títulos da dívida brasileira caíram 1,8% no mesmo período.

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