Pais denunciam novo espancamento de internos
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sábado, 11 de setembro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 12 (AE) - As mães e pais que estiveram hoje nas alas da unidade Imigrante da Febem, para ver como estavam os filhos, contam que presenciaram na ala B agressões contra os filhos idênticas às de sábado, exibidas pela televisão. A nova sessão de tortura teria ocorrido cerca de doze horas depois das cenas do sábado, que mostram os monitores encapuzados chutando e batendo nos internos com pedaços de madeira.
"Tinha um menor caído no chão e seis monitores chutando sua cabeça", descreveu a dona de casa Dolores de Almeira Pereira Vasconcelos, mãe de um rapaz de 18 anos, detido no local. "Era um massacre; o sangue escorria pelo chão." A cena provocou a reação dos pais e o fim das agressões. "Só pensei em salvar meu filho." Ela contou que foi autorizada pelo chefe dos monitores a retirá-lo do local. "Meu filho não fugiu; ele estava com febre e ferido e eu fui orientada a retirá-lo."
Segundo os familiares, os monitores espancaram os internos da mesma forma que fizeram na noite de sábado, nas cenas registradas pela televisão. A dona de casa Silmara Issac Santos, mãe de um interno de 17 anos, confirmou as denúncias."Botaram os meninos no fundo da quadra e aí, só de ripa", conta . Os mesmos monitores acusados de violência continuaram com a responsabilidade de cuidar dos internos.
"Pegaram os meninos para bater na frente da gente", disse. Ela afirmou também ter visto pilhas de material de higiene pessoal, como sabonetes e pastas de dente, que não estariam sendo oferecidas aos internos. "Meu filho fede e esse material não é distribuído", reclamou. "Para nós, após baterem nos meninos, ofereceram chazinho; chazinho pago com o nosso dinheiro, dinheiro de quem trabalha."
O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, também confirmou as denúncias feitas pelos parentes. "Por qualquer motivo fútil vem a cabeça na parede, a humilhação, a falta de dignidade", disse. Ele contou que os monitores o têm insultado em cada corredor da Febem, por causa de sua atividade em defesa dos menores. "O que estamos pedindo é que a lei seja cumprida."
A Febem não divulgou o número de menores feridos. A informação oficial foi a de que não havia nenhum "ferido grave". Os feridos por tiros da Tropa de Choque que compareceram ao Hospital Municipal Artur Ribeiro Sabóia contam que vários internos estavam sendo atendidos no local, em decorrência de espancamentos.


