Pais defendem acesso a medicamento
Curitiba - Para a pediatra Maria Angélica Queiroz Telles, moradora de Curitiba, o uso de canabidiol, além de ter se mostrado seguro, diferentemente de outros medicamentos, não tem causado nenhum efeito colateral. Ela é mãe de Thiago, de apenas dois anos, portador da Síndrome de Dravet, uma doença rara de origem genética.
"Você vê seu filho convulsionar uma, duas, três, até cinquenta vezes por dia e, nessas doenças, a própria crise faz com que seu filho regrida. Então parte do tratamento é o controle das crises. Quando você encontra uma medicação segura, natural, sem efeito colateral e que ainda controla as crises, isso causa entusiasmo, e é por isso que estamos brigando tanto para que se regulamente logo a prescrição", ressalta.
Depois de mais de um ano testando diversos medicamentos sem sucesso, Maria Angélica decidiu encarar o processo para importar o CBD e testá-lo no filho a partir de agosto deste ano. O resultado foi extremamente positivo, e as crises, que eram constantes, agora ocorrem uma ou duas vezes por mês. Ela ressalta que é importante que a questão seja divulgada principalmente porque muitas famílias não têm conhecimento sobre esta alternativa de tratamento.
Mesmo se mostrando eficaz, o tratamento ainda é muito caro. "Quando você regulamenta, aumenta o acesso, os preços tendem a diminuir. Quem tem dinheiro tem acesso, mas isso não é justo. E quem não pode e não tem acesso à informação, e os filhos estão em casa convulsionando 50 vezes ao dia?", questiona.
Maria Angélica também lembra que, quando se usa a palavra maconha, uma série de preconceitos aparece. "É um absurdo. Já me perguntaram se eu iria fazer meu filho fumar maconha. Então a gente vê que o preconceito é mais forte do que as pessoas tentarem buscar informação. Se ele pode ter uma vida melhor, com menos convulsões, com uma chance de ter menos sequelas, porque não brigar por uma regulamentação? É importante deixar claro para as pessoas que o canabidiol não é uma droga e sim uma medicação. Quando as pessoas vão a um dentista, ninguém fala que ele vai fazer uma anestesia de um derivado de cocaína (xilocaína)", destaca. (R.C.J.)





