País defende metas contra corte raso
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Folhapress 
Poznan, Polônia- No dia em que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, afirmou que o Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de críticas de ambientalistas por permitir que desmatadores fiquem irregulares por mais um ano.
Ban elogiou o Brasil na abertura da sessão de alto nível da COP-14 (14ªConferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), em Poznan (Polônia), da qual participam ministros do Ambiente de mais de 150 nações. Ele disse que o país criou milhões de empregos durante o processo de esverdear a economia.
O reconhecimento internacional, porém, foi em parte apagado pela assinatura pelo governo federal de um decreto que determina que o Ibama não poderá cobrar multas de quem ocupou irregularmente a reserva legal -área de proibição de desmate em cada propriedade rural.
O governo Lula agiu como sempre faz com as questões ambientais. A proteção do ambiente fica só no discurso, porque na prática ele sempre acaba cedendo às pressões da bancada ruralista, disse Sérgio Leitão, do Greenpeace. Como é que o governo vai cumprir a meta se ele estimula a impunidade para quem desmata?
Ontem, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) apresentou em Poznan, numa sala lotada de interessados, o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Ele ressaltou que o país agora tem uma meta de redução da taxa de desmatamento de 70% até 2018. E pediu que os países desenvolvimentos apóiem essa iniciativa.
Outras ações para beneficiar as florestas e o clima foram anunciadas na conferência. Em sua fala no plenário, o secretário britânico de Clima e Energia, Ed Miliband, afirmou que o país irá contribuir com 100 milhões de libras para a área de florestas. Proteger e repor as florestas do planeta é essencial para combater as mudanças climáticas, afirmou.
O presidente suspendeu temporariamente a punição a desmatadores que tenham desrespeitado o limite máximo de abate da vegetação em suas propriedades até hoje. As punições ficarão suspensas até 11 de dezembro de 2009, de acordo com decreto publicado ontem no Diário Oficial da União. Após esse prazo, os infratores ficarão sujeitos a multas mais amenas que as previstas pela versão original do decreto que define punições aos crimes ambientais, editado em julho. O recuo do governo atende a pressões de produtores rurais.


