Pais de menores estão apreensivos e revoltados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de outubro de 1999
por Mauro Carvalho 
São Paulo, 26 (AE) - O clima era de apreensão mais não havia confusão. Alguns pais procuravam informações a respeito da transferência de seus filhos para outras unidades da Febem, outros eram chamados para visitar os filhos.
Eram 17h25. A vendedora Rosângela de Souza, 37 anos com o dedo indicador percorria nome por nome das listas dos 104 internos da Febem transferidos para o COC (Centro de Observação Criminológica).
Nesse momento o perueiro M.F.,de 37 anos, deixava o prédio da Febem revoltado: "nossos filhos estão sendo intimidados pelos policiais; não podem nem levantar a cabeça para conversar com a gente. Ficam sentados no chão e nós em cadeiras".
Mais uma frase provocou um tumulto. "Estão obrigando nossos filhos a beber urina" disse chorando. Ao ouvir a informação um grupo de 15 mães, namoradas ou irmãs partiram para cima do monitor Roberto Brasil, que dava entrevista, aos gritos de "lincha, lincha". Uma moça chegou a apanhar uma pedra mas foi impedida de atirar por um repórter. Com ferimentos na testa e andando com dificuldade, Brasil fugiu perseguido pela multidão: "pega ele lincha", gritavam. O monitor se escondeu na Lanchonete Dimas. Quando o grupo tentava invadir a lanchonete chegaram policiais da tropa de choque e o levaram para a Febem sob ofensas e vaias. Os filhos do perueiro e da vendedora estão internados na Febem por roubo de carros e motos.


