Pais de menino desaparecido fazem DNA
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terça-feira, 11 de maio de 2004
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Poucas dores podem ser maiores do que a perda de um filho. Entretanto, apenas quem acompanhou o casal José Vicente Gonçalves e Eliane Gonçalves nos últimos 15 anos pode ter uma idéia de como esse sofrimento pode ser aumentado pelo descaso das autoridades. Eles são os pais do menino Ewerton, desaparecido em Curitiba no dia 23 de dezembro de 1988, na época com quatro anos. Hoje, o casal realiza um exame de DNA no Instituto Médico-Legal (IML) em Curitiba para descobrir se o corpo de um menino encontrado em Santo André, apenas 53 dias após o desaparecimento, é o de Ewerton.
O exame poderia ter sido realizado há muito tempo. A semelhança entre a descrição de Ewerton e o corpo encontrado em um saco plástico em Santo André, com sinais de tortura e traumatismo craniano, fez a polícia de São Paulo enviar o laudo, com fotos e detalhes sobre a morte da criança, para Curitiba. ''A hipótese era plausível. O corpo foi encontrado apenas 53 dias após o desaparecimento de Ewerton, e a descrição batia. Esse laudo, entretanto, por algum motivo desconhecido nunca chegou'', afirma José Vicente.
Sem saber da existência do laudo, o casal teve que confiar na investigação da Polícia Civil do Paraná. ''Durante todo esse tempo, 14 delegados cuidaram do caso. Toda vez que a investigação começava a mostrar sinais de que iria andar, os delegados eram transferidos e outro assumia o caso, tendo que começar tudo do zero de novo'', critica o pai.
Sem pistas concretas, os boatos sobre o desaparecimento de Ewerton começaram a surgir. Chegou-se a afirmar que ele teria sido enviada ao exterior através do aeroporto de Joinville (SC), através de uma rede de tráfico de crianças. ''Também tínhamos indícios de que existiam policiais envolvidos no desaparecimento. Ao vermos o nome de alguns dos suspeitos sendo investigados na CPI do Narcotráfico em 2000, resolvemos fazer a denúncia aos parlamentares'', conta José Vicente.
A partir daí, o sofrimento na vida do casal foi ainda maior. Ameaças de morte anônimas acabaram fazendo com que o casal se mudassem de Curitiba com três filhos. ''Apesar de não termos provas, é estranho que as ameaças começassem a surgir logo após as denúncias à CPI do Narcotráfico'', comenta José Vicente.


