Pais de menino baleado querem processar Estado
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domingo, 16 de maio de 1999
Agência Folha e Agência Estado 
Delfim Vieira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Populares fizeram manifestação ontem pela paz, na zona sul do RioOs pais do adolescente Rodrigo Marques da Silva, 15 anos, morto na sexta-feira no morro da Coroa (Santa Teresa, zona sul do Rio), planejam entrar com uma ação contra o Estado cobrando o esclarecimento do crime. Ontem, dezenas de populares participaram de caminhada pelas praias de Copacabana (zona sul do Rio) pedindo o desarmamento da população. Eles carregavam uma faixa com a inscrição Rio, abaixe essa arma. Pela paz e pela vida apoiamos a lei que proíbe a venda de armas no Brasil. O subsecretário de Segurança do Rio, Luiz Eduardo Soares, participou da caminhada.
Rodrigo foi baleado numa ação do 1º BPM (Batalhão de Polícia Militar) no morro, na sexta-feira. A PM alegou que trocava tiros com traficantes. O instrutor de auto-escola Sérgio Lopes e a dona de casa Edilamar Marques da Silva, pais do adolescente, dizem que os PMs subiram o morro atirando. Já estão até dizendo que acharam uma arma com meu filho. Não quero dinheiro do Estado, quero que tirem essa calúnia. Meu garoto não era traficante, afirmou a mãe.
Rodrigo estudava na 8ª série da Escola Municipal Santa Catarina, em Santa Teresa. Fazia um curso profissionalizante na igreja do bairro e procurava emprego. Edilamar disse que, ao saber que o filho fora ferido, tentou socorrê-lo, sendo impedida pelos policiais. Ela disse que é capaz de reconhecer os PMs.
No sábado, após o enterro, moradores do morro fecharam a saída do túnel Santa Bárbara, que liga as zonas norte e sul do Rio, queimando um ônibus e uma Kombi. Foi a quarta manifestação violenta em seis dias, todas em protesto contra ações policiais.
Os pais de Rodrigo e a presidente da associação de moradores do morro, Clátia Vieira, disseram discordar do protesto violento. Não organizamos, mas entendemos. O povo é revoltado com a polícia, afirmou Clátia.


