Pais de alunos fazem mutirão de limpeza
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domingo, 27 de abril de 2014
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - É possível morar em um bairro, mas sem tomar parte de seu cotidiano. "Tomar parte" representa um nível mais intenso de participação do que simplesmente residir nele. Eis a diferença entre o cidadão inerte e o engajado. Pensando em fazer com que a comunidade "viva" mais o cotidiano escolar e o bairro, o diretor do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) do Residencial Vista Bela 1 (zona norte de Londrina), José Aparecido da Silva, convocou pais de alunos para um mutirão de limpeza no fim de semana.
O CMEI possui 160 alunos, com idade variando entre 4 e 6 anos. Poucos pais atenderam o chamado de Silva, mas a atividade realizada no sábado é o embrião de uma prática que deve se tornar recorrente na creche.
Entre os que auxiliavam na manutenção dos jardins e canteiros estava o jardineiro Alexandre Ferreira Costa, de 41 anos, pai da aluna Núbia, de 5. Ele disse ter a consciência que a prefeitura não teria condições de realizar a manutenção com a periodicidade que deveria, em função da falta de recursos. "A creche precisa de manutenção constante, pois há risco de proliferação de insetos. Sem contar que para as crianças brincarem é bem mais saudável", argumentou.
Costa ressaltou que a iniciativa é sempre bem-vinda, mas criticou a pouca participação dos pais. "Deveria ser maior, mas estou confiante que nas próximas vezes o número de pais deve aumentar."
Quem também apareceu para ajudar foi a atendente de uma escola para crianças especiais, Elisa da Silva, de 42 anos. Ela foi acompanhada do filho João Pedro, de 6 anos. "A escola é de nós todos", apontou. Elisa afirmou que fez questão da presença do filho para que ele aprendesse sobre a necessidade do engajamento para melhorar a instituição e o bairro. "É uma questão de cidadania. Ao me ver trabalhar, ele mesmo tomou a iniciativa de ajudar com um rastelo para recolher a folhagem e fez isso brincando", observou.
Elisa ressaltou que o Vista Bela é um bairro que desde o seu início sofre com a falta de estrutura e por este motivo os moradores precisam correr atrás ou mesmo criar iniciativas como essas. Caso contrário, afirmou, correm o risco de ficarem esquecidos.
"Programamos uma primeira ação, mas muitos pais disseram que sábado de manhã não poderiam vir porque tinham que trabalhar", lamentou o diretor. Mesmo assim ele não desiste e anuncia que outras iniciativas serão realizadas em breve. "Esse foi um primeiro trabalho para começar a envolver a comunidade."
Silva destacou que esse trabalho é importante porque complementa a ação do poder público. "Enquanto o poder público está aqui com o aparelho público, nós, da comunidade escolar, podemos nos envolver com as necessidades da escola", explicou.


