Assustados com o crescimento da violência envolvendo crianças e adolescentes, pais, estudantes, professores e diretores de escolas de Campinas, a 90 quilômetros de São Paulo, decidiram iniciar uma mobilização para pedir mais segurança na rede de ensino. No dia 22, os organizadores do movimento promovem uma passeata pela paz. Eles também pretendem realizar palestras e atividades nas escolas, para mostrar os prejuízos e os traumas que a violência provoca na população.
A cada 28 horas, um jovem entre 15 e 24 anos morre em Campinas vítima de homicídio, suicídio ou acidente de trânsito, segundo dados do Banco de Óbitos da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com o levantamento, das 305 pessoas nessa faixa etária, mortas no ano passado, 251 foram vítimas da violência, o que corresponde a 82% do total. Pesquisa feita em agosto do ano passado pelo Sindicato de Especialistas da Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), revelou que das 145 escolas estaduais na cidade, 75% registraram algum tipo de violência envolvendo alunos.
‘‘Queremos envolver pais, alunos e profissionais do ensino na luta contra a violência’’, disse Vera Xavier Vanucci, vice-diretora da Escola Estadual de 1º e 2º Grau Maria Julieta de Godoi Cartezane. A unidade fica no Jardim Campos Elíseos, uma das áreas mais violentas da cidade. Há dois dias, o adolescente Hélio da Silva, de 14 anos, foi morto com vários tiros na cabeça
próximo a escola estadual Padre José dos Santos. A polícia suspeita que ele tenha sido vítima de um acerto de contas por envolvimento com traficantes, mas não descarta a possibilidade de um assalto.
Casos como o de Silva tornaram-se comuns nas escolas da periferia. ‘‘Toda escola de Campinas tem uma história de violência para contar’’, afirma o diretor da 4ª Delegacia de Ensino, Onofre Martins. É comum gangues entrarem armadas nas salas de aula. O tráfico de drogas e tentativas de estupro tornaram-se rotineiros, segundo alunos e professores. ‘‘Precisamos de um trabalho conjunto para conscientização dos estudantes’’, diz o presidente da União dos Estudantes Secundaristas, Paulo Shetara.
As primeiras iniciativas começam a aparecer. Na escola estadual Reverendo Eliseu Narciso, no DIC 3, onde já foram registrados vários episódios violentos, os próprios alunos iniciaram um trabalho de prevenção. ‘‘Estamos realizando encontros com alunos, professores e pais para que todos passem a respeitar a escola’’, diz o presidente do grêmio estudantil e aluno do supletivo, Mário Cesar Mello Silva.

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