Pais de acusado de abuso sexual criticam delegada
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sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Os pais do monitor Vinícius de Mattos Farias, de 20 anos, acusado de ter abusado de uma criança de cinco anos, se pronunciaram publicamente ontem para afirmar a inocência do filho. O clamor feito pelo casal José Maria Campos Faria, de 50 anos, e Cléa Santos Mattos Faria, de 49 anos, foi emotivo e cheio de acusações contra o inquérito policial concluído pela delegada Paula Brisola, titular do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil.
O manifesto a favor do filho único do casal aconteceu no escritório dos advogados de defesa de Vinícius, em Curitiba. ''Quero mostrar para o Paraná que ele tem família, é um rapaz bom, que foi criado com muito carinho e nunca pisou numa delegacia. O inquérito policial foi precipitado e mal conduzido pela delegada que ao meu ver, é uma pessoa despreparada. Ele nunca se negou a prestar esclarecimentos'', disse a mãe. Ela visitou o filho, recentemente, no Centro de Triagem do Presídio em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
''Acredito na justiça de Deus e a verdade vai aparecer. Meu filho nem sabe direito porque está preso, ele sequer foi ouvido'', critica Cléa Faria, lembrando que Vinícius foi detido no dia 4 de outubro, em casa. A prisão preventiva foi decretada por 30 dias. ''Só posso acreditar que isso seja uma armação contra o meu filho, algo macabro mesmo. Conheço a índole dele. Vinícius não é uma pessoa doente e essa acusação é uma calúnia'', acrescenta o pai, José Maria.
Segundo os familiares, o rapaz trabalhava, há um ano e meio, como monitor do parque de diversões de uma loja de produtos infantis de um shopping de Curitiba e que outras quatro pessoas trabalhavam na mesma função. O crime teria acontecido no dia 3 de setembro, no banheiro do parque onde Vinícius trabalhava.
''Mais de 20 mil crianças passaram pela mão do meu filho nesse tempo e nunca houve nada parecido. Ele adora crianças, inclusive, deseja cursar Educação Física justamente para ensinar crianças'', defende a mãe. ''Não existe nada que aponte que meu filho fez isso. O testemunho da criança pode ter sido induzido, ela é inocente'', justifica.
Segundo Morozowski, a defesa aguarda o pronunciamento da 2 Vara Criminal de Curitiba, sobre o pedido de revogação da prisão preventiva. Isso deve acontecer segunda-feira, quando o judiciário também receberá a denúncia feita pelo Ministério Público, que pede a prisão preventiva do acusado. ''Todas as circunstâncias do processo absolvem o Vinícius. A única coisa que recai sobre ele é o depoimento da criança'', informa o advogado.
Em nota enviada a imprensa, o Nucria informou que a acusação contra o agressor não foi arbitrária ou unilateral. ''O Ministério Público Estadual tanto encontrou consistência no inquérito e nas investigações que já ofereceu denúncia à Justiça contra o rapaz'', justifica a nota. ''Além disso, foi realizado um laudo psicológico da criança e ficou concluída a violência sexual''. A delegada Paula Brisola lembra que o suspeito foi ouvido e o depoimento consta no inquérito.


