Pais da menina Érika vão a júri popular em Curitiba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de agosto de 1997
Dary Júnior Curitiba 
Os principais acusados da morte da menina Érika Bianca Silvestre Maia, 6 anos, vão ser levados a júri popular no Fórum de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Rogério Dobrovolski, padrasto, e Hermínia Cleide Silvestre Maia, mãe da menina, foram interrogados ontem à tarde pela juíza da Vara Criminal, Elizabeth Calmon de Passos. Foi a primeira etapa do processo após o casal ser denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado, tortura e abuso sexual.
Segundo o promotor Dicesar Krepsky, Dobrovolski e Hermínia devem ser julgados até o final do ano. Na denúncia, o promotor substituto Mário Ramidoff considera a morte de Érika como crime hediondo. Laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba aponta o espancamento da menina como causa da lesão cerebral que a matou. Dobrovolski e Hermínia confessaram ao delegado José Carlos de Oliveira que agrediram a criança na noite de 13 de julho. Ela passou mal e foi deixada em um terreno baldio de Pinhais na madrugada do dia seguinte, quando o casal supostamente buscava ajuda.
No laudo do IML, há registros de queimaduras e hematomas por todo o corpo da criança. A violência suspostamente vai mais longe, com abuso sexual comprovado. Hermínia acabou acusada por atentado violento ao pudor, já que teria segurado Érika para Dobrovolski seviciá-la.
HospitaisRamidoff não poupou nem os hospitais de Pinhais e Universitário do Cajuru, de Curitiba. Na denúncia, ele pede a identificação dos diretores dos respectivos pronto-socorros. O objetivo é apurar a responsabilidade técnica e ética dos médicos que teriam negado atendimento à menina, só recebida pelo Hospital Evangélico, na capital, onde chegou agonizante.
A Folha tentou falar com o diretor clínico do Hospital e Maternidade Pinhais, Dario Pozzo. Ele não foi encontrado. O médico responsável pelo pronto-socorro do Cajuru, Luiz Carlos Vonbahten, participava de uma cirurgia e não pôde atender a reportagem. O diretor clínico do hospital, Gérson Laux, disse no dia 17 de julho que Érika deixou de ser atendida por falta de vaga no pronto-socorro.


