São Paulo, 3 (AE) - Se o governo não adotar as medidas necessárias para reequilibrar a economia brasileira, o País corre dois riscos: o de retorno da hiperinflação ou o de retorno à época do governo do presidente José Sarney, quando os planos econômicos, com criação de novas moedas e inflação em alta, se sucediam. Esta é a opinião do diretor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri.
O economista, que participou hoje do lançamento do manual Imoveuss - Panorama do Mercado da Construção, afirmou que só o ajuste fiscal hoje não deverá ser suficiente para reequilibrar a economia brasileira. "Com o índice de desemprego próximo dos dois dígitos, é necessário que o governo cuide também das reformas estruturais, como a da Previdência."
Segundo Rizzieri, se o governo não fizer seu "dever de casa", há uma pequena possibilidade de retorno da hiperinflação e uma possibilidade um pouco maior de a economia voltar a conviver com os altos e baixos do governo Sarney. Ele afirma que o principal "dever de casa" do governo é cortar gastos e ganhar credibilidade. "Aí os juros podem cair e voltam a emprestar recursos para o País."
O diretor da Fipe informa que com a desvalorização cambial de 40% o Brasil pode voltar a exportar e, portanto, terá dinheiro para honrar seus compromissos externos. Isso acaba animando os investidores externos, que voltam a emprestar. "Aí não há necessidade de emissão de moeda, que resultaria na volta da inflação", diz Rizzieri. "Aparentemente está dando tudo certo mas precisamos avançar mais."
Para ele, o que deve ser feito está muito claro para todo mundo. "Nos últimos quatro anos se avançou muito, mas não resolvemos problemas graves porque precisamos das reformas estruturais", avalia ele.

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