São Paulo, 12 (AE) - A rebelião no Complexo Imigrantes da Febem teve início por volta das 16h30 de sábado, no fim do horário de visitas. Segundo representantes da Associação de Mães e Amigos de Adolescentes em Situações de Risco, os jovens revoltaram-se por causa das constantes agressões dos funcionários. "Um grupo subiu no telhado, os monitores jogaram pedras e os meninos revidaram", afirmou M.R.A., mãe de um dos garotos. "Muitos conseguiram fugir, foi um horror."
"Os funcionários chamaram as mães de vadias e outros palavrões", contou R.C.S., de 41 anos, mãe do interno J., de 15 anos. Ela também estava no interior da unidade quando o motim começou e só saiu de pouco antes da meia-noite.
Tensão - A noite de sábado e a madrugada de hoje foram de tensão, tanto dentro quanto fora do prédio da unidade. Revoltados com a falta de notícias e nervosos com informações de agressões, alguns pais descontrolaram-se e jogaram-se contra o portão, tentando entrar.
Desde as 20 horas, a Tropa de Choque da Polícia Militar permaneceu na área de acesso para impedir tentativas de invasão. Por volta das 23 horas, quando a situação parecia tranquila - pelo menos do lado de fora -, os soldados deixaram o local. Menos de duas horas depois, houve mais confusão e os homens voltaram, armados e com escudos.
Boatos de que havia adolescentes mortos nas proximidades da ala D, a que mais demorou para ser contida, só aumentava o desespero dos parentes. Só às 22 horas o representante do Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Alan Carvalho, que só conseguiu entrar na unidade após muita insistência, confirmou que havia adolescentes feridos em todas as unidades, alguns apenas com hematomas, outros com cortes e suspeita de fraturas.

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