Curitiba- O Brasil assinou ontem sua ficha de inscrição para uma iniciativa internacional de combate a espécies invasoras, consideradas a segunda maior ameaça à biodiversidade do planeta depois da destruição de habitats. O esforço é comandado pelo Programa Global de Espécies Invasoras (GISP), que divulgou ontem o primeiro relatório consolidado sobre o problema na América do Sul.
Apenas no Brasil são mais de 500 espécies invasoras, que podem acarretar prejuízos anuais de US$ 50 bilhões, segundo as estimativas mais recentes do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O relatório América do Sul Invadida foi um dos destaques ontem na COP 8, em Curitiba. Segundo Sílvia Ziller, coordenadora do Programa de Espécies Invasoras da organização The Nature Conservancy para a América do Sul, não é possível calcular um número total de espécies invasoras para a região, por causa de falta de conhecimento e monitoramento. ''Alguns países têm informações coletadas, mas não de uma forma organizada'', disse. A única certeza, segundo ela, é que são muitas, e que o impacto sobre o meio ambiente é significativo.
As espécies invasoras são animais, plantas, insetos e outras pragas introduzidas em ecossistemas ao qual não pertencem, mas nos quais conseguem se desenvolver à custa das espécies nativas. Sem predadores naturais, elas se espalham pelo ambiente, atacando espécies locais e competindo com elas por recursos como água, alimento e luz. ''Não é que ela vai ser uma espécie a mais; ela vai fazer com outras espécies desapareçam'', afirma Sílvia.
Exemplos no Brasil incluem plantas e animais conhecidos, como tilápia, carpa, bagre, pinus, camarão da malásia, caramujo africano e o mexilhão dourado, além de vários tipos exóticos de capim. ''Mais de 75% das espécies invasoras no Brasil foram introduzidas intencionalmente para atividades econômicas'', diz Sílvia.
O tema é uma das prioridades do MMA, segundo o coordenador do Programa de Recursos Genéticos do ministério, Lídio Coradin. ''Vamos atacar o problema'', garante. Os prejuízos bilionários, segundo ele, referem-se tanto aos custos de combate às espécies invasoras quanto os danos causados por elas ao meio ambiente, à saúde e à cadeia produtiva.
A participação no projeto do GISP, chamado Iniciativa dos Dez Países, deverá ser oficializada ainda em Curitiba pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A COP 8 termina no dia 31.

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