Pais acusam traficantes, policiais e delegados de sequestrar filho17/Mar, 21:13 Por Evandro Fadel Curitiba, 17 (AE) - Os pais do menino Everton Gonçalves, desaparecido em 23 de dezembro de 1988, quando tinha quatro anos em Curitiba, apresentaram cópia de um dossiê à imprensa em Curitiba, em que denunciam o envolvimento de traficantes, policiais, delegados e um promotor no possível sequestro do filho e por serem omissos durante as investigações. Segundo eles, o dossiê foi preparado por um policial militar, não identificado, e não teria sido incluído no processo. O pai do menino, José Vicente Gonçalves, disse que decidiu tornar público o documento porque recebeu apoio de integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos deputados. "Não sabia a quem recorrer; por isso, tinha medo de divulgar os nomes", afirmou. Gonçalves disse que o PM que fazia as investigações foi obrigado a parar o trabalho quando descobriu o envolvimento de um capitão reformado no caso. Segundo ele, o policial que fez a investigação foi afastado da corporação. O delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, disse que aguardava ainda hoje o pai do menino para que levasse o documento. "Vou fazer um ofício imediatamente e requisitá-lo à Polícia Militar, pedindo a identificação do policial, para que venha contar o que sabe", disse o delegado. "Se tiver acesso ao material e os dados forem consistentes, vou investigar a fundo." De acordo com a versão de Gonçalves, o filho teria sido sequestrado em frente da casa em que moravam, por Rosalva Maria Ferreira, e posto num Opala dirigido por Felícia Fagundes, mulher de Oriel Pontes, acusado de tráfico de drogas. O menino teria sido levado para uma chácara em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba e vendido por 100 cruzados a uma mulher identificada como "Lavinha". Dali, teria ido a Foz do Iguaçu e, de lá, para o Paraguai. O inquérito sobre o desaparecimento do menino foi desarquivado em 1995, quando da criação do Sicride. O delegado disse que os citados como tendo envolvimento direto no sequestro vêm sendo investigados. Ele disse que Rosalva tem pedido de prisão temporária decretado. Quanto a Oriel e Felícia, as prisões foram pedidas, mas negadas pela Justiça.

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