Curitiba - Três meninas que nasceram em janeiro foram abandonadas pelos pais na maternidade, em Curitiba. O caso corre em segredo de Justiça e só ontem foi divulgado. Os pais haviam passado por um processo de fertilização e, desde a gestação, já sabiam que teriam três crianças. O pai se mostrou desfavorável ao número de bebês desde o início. Segundo informações de funcionários, ainda na maternidade eles disseram que gostariam de ficar apenas com uma menina e, depois de um certo convencimento, concordaram em levar duas.
A maternidade acionou o Ministério Público e, por meio de uma liminar, as crianças foram levadas pelo Conselho Tutelar após receberem alta, no final de fevereiro. Atualmente, aguardam a decisão da Justiça em um abrigo e estão sob o poder do Estado. O caso está nas mãos da 1 Vara dos Direitos da Criança e do Adolescente. Nenhuma fonte do órgão quis comentar sobre o ocorrido. Os pais das crianças também optaram por não falar sobre o assunto.
O médico Karam Abou Saad, responsável pelo processo de fertilização do casal, disse ter ficado surpreso com a atitude do casal. ''É uma situação inédita. Trabalho com isso há mais de 30 anos e nunca ouvi falar em algo parecido. Geralmente, o amor que existe por parte dos pais é sempre incondicional em relação aos filhos, sejam eles múltiplos ou não'', declarou. Diante da delicadeza do assunto, o ginecologista também não pôde se manifestar com detalhes sobre o ocorrido.
O promotor de Justiça do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente, Murilo Digiácomo, falou em termos genéricos sobre uma situação de abandono como a das trigêmeas. ''Não há como aceitar uma situação com essa. O que está sendo discutido não é o abandono de uma matilha de cães, mas sim de crianças, de seres humanos. Isso era comum no Império Romano ou na época do nazismo. Os dias hoje são outros'', desabafou.
Há rumores de que os pais haviam se arrependido do abandono e procurado o Conselho Tutelar. Digiácomo disse esperar que a Justiça avalie com cautela o caso, para que as meninas não voltem para os pais sem que eles demonstrem honestamente que querem mesmo ficar com elas.
Mesmo que a família queira as crianças de volta, o processo de reintegração deverá ser sistemático e delicado. ''Há 20 anos trabalhando nessa área, nunca ouvi nada parecido. Espero jamais ouvir novamente'', salientou o promotor.

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