Um foguete Proton russo colocou, na madrugada de ontem, às 4h40 de Brasília, numa órbita de 353 quilômetros de altitude, o módulo básico da futura estação espacial internacional. O módulo batizado de Zarya - aurora em russo - deverá receber, no início de dezembro, uma segunda conexão, transportada por uma nave espacial dos Estados Unidos, formando o primeiro conjunto da estação que deverá receber seus primeiros tripulantes no início do ano 2000.
Técnicos de supervisão do lançamento aplaudiram quando o módulo Zarya se separou do foguete propulsor e entrou na órbita da Terra. ‘‘Este é um dia histórico, já que assenta as bases para uma nova estação’’, disse à imprensa internacional o ministro da Defesa da Rússia, Igor Sergeyev.
Os técnicos disseram que o módulo, tão logo entrou em órbita, abriu seus amplos painéis solares que convertem energia do Sol em eletricidade para alimentar os equipamentos de bordo.
A estação, que inicia uma nova era de cooperação entre Canadá, Estados Unidos, Europa, Japão, Rússia e Brasil, custará cerca de US$ 60 bilhões - a mais cara já construída. Quando estiver inteiramente concluída, em 2004, poderá alojar sete astronautas ao mesmo tempo em um espaço equivalente ao interior de dois Boeings 747.
O módulo Zarya irá fornecer a energia inicial, comunicações e propulsão à estação. Módulos posteriores irão assumir essas funções, e a partir daí o Zarya funcionará, basicamente, como um centro de depósito.
Ainda não será possível que seres humanos vivam no Zarya. Ele não tem sistemas de suporte de vida para fornecer oxigênio, saneamento e outros recursos essenciais. Os astronautas só poderão viver no Zarya sem seus trajes espaciais após a instalação dos alojamentos, em julho de 1999.
O Centro Espacial Khrunichev, da Rússia, montou o módulo, mas o trabalho foi financiado pelos Estados Unidos. O projeto é derivado das estações soviéticas Salyut. A Rússia cobriu os custos do foguete e do lançamento.

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