Brasília, 22 (AE) - O vice-presidente da comissão especial da Câmara que trata do reajuste do salário mínimo, Paulo Paim (PT-RS), qualificou na noite hoje de "imperial e ditatorial" a decisão do governo de editar uma medida provisória (MP) para fixar o novo valor do salário mínimo. "É um absurdo", criticou, durante depoimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, à comissão. Paim afirmou também que a possibilidade de um projeto de lei complementar concedendo aos Estados autonomia para definir um adicional ao salário mínimo é inconstitucional. "Eu saio deste depoimento com a impressão de que se pode tudo neste País, menos aumento do salário mínimo", disse Paim. "Juros, pode; Proer, pode: DRU (Desvinculação de Receitas da União), pode; menos aumento do salário mínimo", completou.
Paim criticou o governo por não ter negociado com a comissão o novo valor do salário mínimo. "Não houve nenhuma negociação", reclamou Paim. Malan, no depoimento, não se comprometeu com um valor para o salário mínimo nem com o possível projeto de lei complementar.
O deputado Luiz Antonio Medeiros (PFL-SP) fez um apelo a Malan para que o governo federal "não atropele" o trabalho da comissão e desista de editar MP para definir o novo valor do mínimo.
Ele disse que isso seria "uma violência" contra a comissão e pediu ao ministro que, em vez de apelar para uma MP, o governo elabore uma proposta e a envie ao relator da comissão, Eduardo Paes (PFL). "Estamos andando, e que o governo não venha com uma MP em cima de nós, mas nos ajude", disse Medeiros.

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