Curitiba - O aposentado José Dias da Costa, de 71 anos, tinha perdido a esperança de reencontrar seus dois filhos deixados num orfanato no dia 2 de outubro de 1965. Sem condições de cuidar das crianças, Costa levou os filhos (com dois e três anos) para o Orfanato Santa Felicidade - onde foram criados. Isaías, o filho mais velho, morreu aos 21 anos num acidente de trabalho. Marcos foi transferido para outros orfanatos do interior do Estado. Ontem, Costa e Marcos se reencontraram depois de 42 anos afastados.
Para Marcos, um momento de muita emoção. Registrado como Antonio Marcos Machado pela Secretaria de Segurança Pública, ele vivia como andarilho em Curitiba. Cortava grama e pedia comida nas casas. Analfabeto, não sabia como procurar os pais. A única lembrança que tinha era a do orfanato e o desejo de reencontrar a mãe e o pai. ''Eu não tenho mágoa. Sei que eles não tinham condição de me criar. Fiquei no berçário sendo criado pelas irmãs. Fui crescendo, trabalhando na serraria. Fiz muito carrinho. Passei muitos anos da minha vida sofrendo na rua, tendo que tomar banho em posto de gasolina. Cortando lenha e carpindo por um prato de comida. Sofri bastante. E nunca mais vi meus pais'', relatou.
Marcos tentou procurar os pais através de programas de rádio. Há 15 anos, havia desistido. O pai dele, José Dias da Costa, ficou cravado de dúvidas. ''Ele tem 42 anos. É outra pessoa. Eu o registrei. Não entendo porque não tem registro de nascimento'', disse. O aposentado confessou que gostaria de ter reencontrado o filho em outras condições, com filhos e esposa. ''Sei que a vida não é como a gente pensa. Quando o deixei no orfanato, não tinha casa. Minha moradia era o quartel. Não tinha como cuidar dele'', disse. Marcos e Isaías nasceram de um namoro de Costa. Os dois foram tirados por decisão judicial da guarda da mãe e entregues ao pai - que também não pôde cuidar deles. Anos depois, Costa tentou procurá-los.
''Estou agora com 71 anos. Percebo que a gente faz erros na vida quando jovem que só vai ter consciência quando o tempo passa. Tem erros que não se repara. Eu vim do sertão, não tinha instrução. Se soubesse o futuro, jamais teria deixado os dois lá. Tem coisas que trazem consequências para o resto da vida'', disse emocionado.
Costa levou o filho ontem para a casa dele, também em Curitiba. Ele terá o convivívio com outros dois filhos do aposentado e com uma madrasta. ''Quero conviver com ele enquanto estiver vivo''. Costa encontrou o filho através do Programa Procuro Você - da Ouvidoria Geral do Estado. Somente este ano, o programa localizou 22 pessoas desaparecidas e solucionou outros 15 casos. No mesmo período recebeu 101 pedidos de busca.

Serviço:- Acesso ao programa pelo site www.pr.gov.br/ouvidoria.

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