Pai diz que secretário foi vítima de armação
São Paulo, 14 (AE) - Armação. Esse foi o argumento usado pelo pai de Marco Aurélio de Oliveira Abreu, Dorival de Abreu, para explicar a prisão do filho. Espantado com a notícia, o político, atual presidente nacional do PTN, partido ao qual o prefeito Celso Pitta filiou-se recentemente, atribuiu a "gente poderosa" a suposta trama.
Bastante abalado, Dorival de Abreu, que há duas semanas sofreu um derrame, chorou após receber a notícia no Salão Azul, no Palácio das Indústrias. Antes de nomear Marco Aurélio, Pitta havia sugerido o nome de Dorival de Abreu, que comandara a Secretaria da Administração durante a gestão do ex-prefeito Jânio Quadros.
Debilitado e sentado numa cadeira de rodas, ele fez questão de defender o filho Marco Aurélio. "É uma calamidade; meu filho foi uma vítima." Segundo ele, é muito estranho o fato de a prisão ocorrer justamente no dia e na hora da cerimônia. "Por que não o prenderam ontem (13) à noite", perguntou. "Foi um ato de arbitrariedade que será revertido", disse.
O prefeito Celso Pitta (PTN) demorou muito para decidir quais declarações dar. Por fim, a tarefa de falar pelo governo ficou com o secretário de Comunicação, Antenor Braido. Ao contrário de Dorival, o secretário não quis afirmar categoricamente que fora tudo armado para prejudicar ainda mais a desgastada imagem do prefeito. "O prefeito está surpreso", disse.
Nomeação - Sobre o futuro político de Marco Aurélio de Abreu, o secretário afirmou que Pitta ainda não decidiu se mantém ou não a nomeação. "Tudo vai depender de uma análise rigorosa; ainda é muito cedo para tomar atitudes." Braido também foi reticente no que diz respeito a uma nova indicação da legenda. "Vamos ver." Ele negou que o fato tenha abalado a Prefeitura ou a idoneidade do partido. "A opinião pública vai ler os jornais e perceber as coisas; o povo sabe discernir."





