Luiz Carlos Dias Junior
De Guarapuava
Especial para a Folha
O delegado de polícia de Palmital (160 quilômetros de Guarapuava), Marcos Antônio dos Santos, prendeu no início desta semana o sem-terra Pedro Alves de Miranda, 36 anos, que confessou ter atirado contra o seu próprio filho menor, Romildo Gonçalves, 12. O menor está internado em Ivaiporã e os médicos informaram que ficará paraplégico.
Segundo Santos, o crime ocorreu no último dia 13, quando o menor, em companhia de mais quatro irmãos, brincava no lote do assentamento Bela Manhã, antiga Fazenda Comil, na divisa entre as localidades de Água Quente e Cantuzinho, 19 quilômetros distante do centro de Palmital.
‘‘O pai ficou bebendo a tarde toda e em determinado momento disse que precisava atirar em alguém. Foi quando se levantou do sofá, pegou o revólver calibre 38 e atirou para o pátio do terreno através da janela do barraco, sem olhar a direção’’, disse o delegado. O único projétil disparado acertou próximo a região da coluna cervical de Romildo e a transpassou, atingindo também rim, intestinos, bacia e o deixou paraplégico. ‘‘O menino foi levado de ambulância até o hospital de Pitanga, mas não pôde ser atendido pela falta de equipamentos. Ele está internado em Ivaiporã, onde encontra-se sob observação médica’’, completou o delegado.
A comunicação do fato foi feita ao delegado às 6h30 do dia 13. Naquele dia, o pai negou ter atirado no filho. No dia seguinte, Santos informou que a esposa de Miranda esteve na delegacia. Ela denunciou que o marido bebia constantemente e que era violento. ‘‘A mulher disse que o homem também tinha uma espingarda calibre 34 e que era ‘cutucada’ pela arma, além de receber coronhadas quase que diariamente’’, disse.
Como Miranda negou possuir a espingarda, o delegado fez uma busca na casa no assentamento e a localizou. ‘‘Já encaminhei o pedido de prisão preventiva por dois motivos: flagrante de guarda ilegal de arma de fogo e por tentativa de homicídio.’’
O crime gerou também a expulsão de Miranda e de sua família do assentamento. Segundo o delegado, os integrantes do movimento têm receio de que a mulher aceite Miranda de volta, caso consiga sair da prisão. Ele afirmou também que o menino ajudava em todos os trabalhos dentro do lote no assentamento, como na lavoura de milho e para retirar o leite das vacas, trabalhando de sol a sol.

mockup