Pai-de-santo preso nega assalto
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Ariel Palácios Agência Estado 
BRASÍLIA - A polícia do Brasil deve receber nos próximos dias pedido de investigação do pai-de-santo brasileiro Vladimir Bittencourt, preso em Buenos Aires acusado de ter feito o roubo do século da Argentina. As autoridades argentinas suspeitam que Bittencourt pertença a uma quadrilha com conexões no Brasil e no Uruguai, embora ele não tenha antecedentes criminais na Argentina.
Não sei de nada. Isso pertence a Oxalá. Desta forma o pai-de-santo explicou aos policiais a presença do pacote de 3 milhões de pesos (US$ 3 milhões) em sua geladeira. O dinheiro faz parte do total de 18 milhões de pesos roubados de uma empresa de transporte de valores.
O pai-de-santo e dois policiais são suspeitos de serem cúmplices da quadrilha que realizou assalto. Bittencourt, de 40 anos, dirige um terreiro de umbanda no distrito de Sarandí, município de Lanús, na Grande Buenos Aires. Segundo a polícia argentina, toda a quadrilha pertence à seita Filhos de Oxalá.
O dinheiro foi encontrado no terreiro de umbanda após 15 blitze na região sul da Grande Buenos Aires, a mais pobre da província. Policiais argentinos sustentam que há outro brasileiro na quadrilha, além de um uruguaio e três argentinos.
O assalto aconteceu na última sexta-feira na empresa Firme Segurança. Feito sem armas, durou 40 minutos. Os assaltantes, disfarçados de policiais, dominaram 18 funcionários que estavam colocando em envelopes o pagamento de funcionários de empresas e prefeituras da província de Buenos Aires.


