‘‘Se fosse com outro, eu seria contra. Mas quando é com a gente, aí dói o coração.’’ A declaração de Manoel Batista de Souza sintetiza as pressões a que ele está submetido desde que a gravidez de sua filha C.B.S., se tornou pública. Grupos religiosos de Israelândia e da região vêm se mobilizando para que Manoel e sua mulher, Maria Benedita, desistam do aborto.
O casal já obteve autorização para que a criança seja retirada e está sendo orientado por uma advogada. A família também recebeu proposta de ajuda financeira da produção do ‘‘Programa do Ratinho’’. ‘‘Acredito em Deus. É o único em quem confio. Mas não quero que a minha filha tenha esse filho’’, afirmou Souza.
O promotor Reuder Cavalcanti Motta é contra a autorização do aborto dada pelo juiz João Geraldo Machado na semana retrasada -, o pai de C.B.S. disse que ainda não tinha sido oficialmente comunicado sobre ela até o final da tarde de ontem. ‘‘Ainda não sei de nada. O juiz não me chamou. Não sei qual é a verdade. Aí vou pensar.’’
Quando questionado sobre o pedido que fez à Justiça para que C.B.S. fizesse um aborto, Souza se mostra confuso. Ora ele diz não querer que a filha tenha o bebê, apesar dos riscos inerentes a um aborto, ora diz que ainda vai decidir se vai levar a idéia adiante.
C.B.S. deixou de ir a escola ‘‘porque estava sendo seguida na rua por repórteres’’, disse o pai. O destino da menina é incerto. O pai diz que ela está na casa de parentes em Iporá. A advogada Sandra Mara Barreto assegura que a garota permanece em Israelândia.
Outras versões investem na idéia de que C.B.S. teria embarcado ontem à tarde para São Paulo ou o faria hoje. O aborto seria realizado em uma clínica na capital paulista. A mãe, Maria Benedita, diz que é mentira. ‘‘Não resolvemos.’’
Ao folhear as revistas semanais que publicaram reportagens sobre o caso, Maria Benedita fica indignada. ‘‘Não deveriam pôr essas fotos. Dá para ver ela direitinho.’’
Maria Benedita mantém sua rotina como cozinheira de uma churrascaria localizada em um posto às margens da rodovia G0-060, que corta Israelândia ao meio. O pai abandonou o trabalho de lavrador e passa o dia em casa à espreita, a fim de evitar que jornalistas se aproximem. Além de C.B.S., o casal, que está junto há cerca de dez anos, tem outros dois filhos, que continuam morando na casa.

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