Pai de Elián pede visto para entrar nos EUA
Washington, 30 (AE-AP) - O pai do garoto cubano Elián González, Juan Miguel González, e sua família pediram formalmente hoje (30) um visto para entrar nos EUA, informou o advogado que o representa em Washington, Greg Craig.
Um pouco antes, fracassava em Miami uma nova reunião entre um tio- avô do menor, Lázaro González, e funcionários do governo americano que tentavam fazê-lo assumir um compromisso de entregar Elián rapidamente ao pai, caso não saia vencedor de uma apelação judicial que tramita num tribunal de Atlanta.
Com a recusa do tio-avô em firmar o compromisso, ele deve perder amanhã a custódia provisória do garoto, concedida pelo Serviço de Imigração e Nacionalização (SIN) em novembro.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Foley, declarou que o governo americano fará tudo que for possível para facilitar a concessão de visto para o pai de Elián, mas esclareceu que o organismo não cederá às pressões do presidente cubano, Fidel Castro, para que ele se faça acompanhar por outras 31 pessoas.
Na véspera, Fidel anunciou a possibilidade de a comitiva viajar para os EUA para que Elián passe por um período de adaptação enquanto a batalha legal por sua custódia nos EUA não se define. "Washington não faz concessões sobre pressões, exigências e ameaças por parte do governo cubano e não tem a intenção de ceder", acrescentou Foley.
Sem o apressamento do Departamento de Estado, os outros membros da delegação de Cuba teriam de aguardar o tempo de praxe para o trâmite legal de expedição de vistos.
A comitiva cubana seria integrada pelos parentes mais próximos de Elián, por sua professora, 12 de seus colegas de escola, por médicos e pelo presidente da Assembléia Nacional (Parlamento) de Cuba, Ricardo Alarcón - que atuaria como "conselheiro" do pai do garoto. "Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé", declarou Fidel.
Entre os familiares do menino que formalizaram o pedido de visto está o pai do menor, sua segunda mulher e o filho de 4 meses do casal - meio-irmão de Elián -, além de sua prima favorita.
Elián foi resgatado na costa da Flórida depois de ter sobrevivido a um naufrágio que causou a morte da mãe dele, que estava separada do pai, e de outros dez cubanos que pretendiam entrar ilegalmente nos EUA.
Com o apoio do governo de Cuba, o pai pediu a repatriação do menor que, a esta altura, já se havia tornado símbolo do exílio cubano pela comunidade cubano-americana de Miami.
O tio-avô de Elián tinha dito que estaria disposto a entregar o menino ao pai, caso o pai fosse a Miami. Ele afirma que não entregará o menino às autoridades de imigração.





