Brasília, 29 (AE) - O senador Antonio Carlos Magalhães reclamou que poucas pessoas tiveram a vida e o patrimônimo tão investigados quanto ele. ACM disse que paga um preço alto por ter trabalhado no regime militar. "Muito do ódio de pseudodemocratas vem daí", afirmou o senador. Ele considerou que embora apoiasse o governo federal, enfrentou generais, respondeu a IPM e sofreu retaliações. "Quiseram me impedir até de assumir a prefeitura de Salvador".
O senador disse ainda que protegeu pessoas perseguidas e contrariou a Lei de Segurança Nacional, ao permitir que presos trabalhassem fora da prisão ou se reunissem com suas famílias no fim de semana, e que permitiu, ainda, a realização de um congresso da UNE em Salvador, que havia sido proibido pelo governo federal. "Naquele momento, poucos tinham coragem de desafiar os mandamentos do poder central", afirmou. ACM disse que nunca compactuou ou aceitou a tortura.
O senador encerrou o discurso dizendo não aceitar "os que não sabem proceder corretamente como a vida pública lhes impõem, e pediu ainda a Deus que o fulmine na véspera se algum dia ele tiver que faltar com seus deveres de lealdade com a Bahia ou com o Brasil".
A líder do bloco de oposição no Senado, Heloísa Helena (PT-AL), ironizou a discussão travada entre o presidente da Casa
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA). A senadora disse que as pessoas que estivessem assistindo à discussão pela televisão ou pelo rádio não iriam entender por que o salário mínimo ainda está no nível de R$ 151,00 se os partidos dos dois senadores, que somam votos em número suficiente para ganhar as votações no Congresso, são favoráveis a um aumento. "Se o PMDB quer, e o PFL quer (o aumento), o povo já pode gastar por conta", afirmou ela. Disse ainda que, hoje à noite, na reunião da comissão mista que discute a medida provisória do salário, os parlamentares dos dois partidos terão a obrigação de defender, "no mínimo dos mínimos, um salário de R$ 180,00".

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