Pagamento de juros cresce com desvalorização
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 16 (AE) - As despesas do setor público com juros nominais passaram de R$ 3,82 bilhões em abril para R$ 10 36 bilhões em maio, segundo os dados divulgados hoje pelo Banco Central. Segundo o chefe do departamento Econômico do BC (Depec)
Altamir Lopes, o aumento deve-se, em parte, à desvalorização cambial de 3,81% ocorrida no mês, associada à taxa básica de juros (Selic) praticada em maio de 2,02%.
Lopes explicou que, para junho, o governo espera um gasto menor com o pagamento de juros. Isso porque não só a desvalorização cambial foi menor no mês, de 2,64%, como também caiu para 1,67% a variação da taxa Selic. Pela metodologia alternativa adotada pelo BC, que não considera a desvalorização cambial, as despesas líquidas com juros atingiram R$ 7 bilhões em maio contra R$ 7,1 bilhões em abril.
No mês de junho, a dívida mobiliária federal fora do Banco Central totalizou R$ 383,13 bilhões, equivalente a 39,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento, com relação ao mês de maio, foi de 2,7%, o que representou R$ 10,2 bilhões a mais.
Parte da elevação também foi atribuída por Lopes à apropriação de juros e câmbio, que totalizou R$ 7,5 bilhões. Houve resgate de títulos no mercado primário de R$ 5,1 bilhões e vendas no secundário de R$ 7,8 bilhões.
Com relação à distribuição dos papéis na dívida mobiliária, o Banco Central continuou registrando aumento no volume dos títulos prefixados, que passaram de 5,12% do total da dívida em maio para 8,1% em junho, devido às colocações líquidas de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Bônus do Banco Central (BBC). Em consequência, os títulos indexados à taxa Selic tiveram sua participação reduzida de 65% em maio para 64% do total em junho.
Mesmo com a desvalorização cambial de 2,6% em junho, Lopes destacou que também caiu a participação dos papéis indexados a dólar. A queda pequena, de 24,8% do total da dívida para 24%, se deu em função dos resgastes líquidos de Notas do Tesouro Nacional (NTN) - série D. O Banco Central também destacou que houve elevação no prazo médio dos papéis, de 7,3 para 8,3 meses em junho.


