Brasília, 16 (AE) - As despesas do setor público com juros nominais passaram de R$ 3,82 bilhões em abril para R$ 10 36 bilhões em maio. Um aumento de 171%. Os juros em maio ficaram próximos do superávit primário obtido pelo setor público nos cinco primeiros meses do ano que foi de R$ 10,96 bilhões. Os dados foram divulgados hoje pelo Banco Central.
Segundo explicou o chefe do Departamento Econômico do BC (Depec), Altamir Lopes, o aumento nas despesas com juros se deve à desvalorização cambial de 3,81% ocorrida no mês e também à taxa básica de juros (Selic) praticada em maio de 2,02%. Quando há apreciação, no entanto, a conta de juros cai. Foi o que ocorreu em março, quando estas despesas tiveram uma redução de R$ 7,41 bilhões.
O governo espera que, em junho, os gastos com o pagamento de juros tenha sido menor. Isso porque tanto a desvalorização cambial quanto as taxas de juros foram menores no mês. O real desvalorizou 2,64% e os juros ficaram em 1,67%. Pela metodologia alternativa adotada pelo BC, que não considera a desvalorização cambial no cálculo dos resultados do setor público, as despesas líquidas com juros atingiram R$ 7 bilhões em maio contra R$ 7,1 bilhões em abril.
Dívida - No mês de junho, a dívida mobiliária federal fora do Banco Central totalizou R$ 383,13 bilhões, equivalente a 39,2% do Produto Interno Bruto (PIB). O aumento, com relação ao mês de maio, foi de 2,7%, o que representou R$ 10,2 bilhões a mais.
Parte da elevação também foi atribuída por Lopes à apropriação de juros e câmbio, que totalizou R$ 7,5 bilhões. Houve resgate de títulos no mercado primário de R$ 5,1 bilhões e vendas no secundário de R$ 7,8 bilhões.
Com relação à distribuição dos papéis na dívida mobiliária, o Banco Central continuou registrando aumento no volume dos títulos prefixados, que passaram de 5,12% do total da dívida em maio para 8,1% em junho, devido às colocações líquidas de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Bônus do Banco Central (BBC). Em consequência, os títulos indexados à taxa Selic tiveram sua participação reduzida de 65% em maio para 64% do total em junho.
Mesmo com a desvalorização cambial de 2,6% em junho, Lopes destacou que também caiu a participação dos papéis indexados a dólar. A queda pequena, de 24,8% do total da dívida para 24%, se deu em função dos resgastes líquidos de Notas do Tesouro Nacional (NTN) - série D. O Banco Central também destacou que houve elevação no prazo médio dos papéis, de 7,3 para 8,3 meses em junho.Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca acrescenta informações no primeiro parágrafo e no título.

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