Rio, 31 (AE) - A Petrobras anunciou hoje que começa na quarta-feira (02) a pagar indenizações às 5.700 pessoas que, segundo levantamento da empresa, foram afetadas diretamente pelo desastre ambiental na Baía de Guanabara, provocado pelo vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo, dia 18. A indenização é mensal e será paga até que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturiais Renováveis (Ibama) libere a pesca na baía. O valor varia de R$ 150 a R$ 500, de acordo com a função exercida pelo trabalhador - 3 mil são pescadores, que vão receber R$ 500, e os outros 2.700, comerciantes e pessoas que vivem do turismo.
O presidente da estatal, Henri Philippe Reichstul, não soube informar quanto a empresa vai gastar em indenizações. Ele depôs hojeà tarde sobre o acidente ambiental na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro(Alerj). Ele também disse não ter disponível o valor gasto pela empresa em publicidade após o derramamento de óleo na baía, mas afirmou que será mantido o investimento "enquanto a Petrobras achar necessário informar a população sobre o que está fazendo". "Não estamos fazendo contas por enquanto", afirmou.
Divergência - Há divergências sobre o prazo em que pagamento de indenizações terá de ser efetuado. "Nossa estimativa é de que a pesca poderá ser retomada na baía em menos de três meses, até porque não houve grande mortandade de peixes", disse o presidente da estatal. Pelos cálculos do presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Rio, José Maria Pugas, isso só deverá ocorrer em quatro anos. "Nunca vi a água tão poluída como está agora, em 15 anos de trabalho", disse o sindicalista.
Segundo Reichstul , a distribuição de cestas básicas foi interrompida porque tratava-se de uma etapa emergencial do programa de atendimento às pessoas afetadas. A empresa informou ter entregue 6.300 cestas. O presidente da estatal afirmou que já foram retirados 450 mil litros de óleo da baía. "Hoje, não tem mais óleo nas água, só nas pedras."
CPI - O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj, deputado Carlos Dias (PST), que coordenou a sessão de hoje na qual Reichstul foi ouvido, disse ser "viável" a hipótese de um pedido de abertura de CPI para apurar o desastre na baía. "Mas, antes, vamos aguardar o relatório final da Petrobras sobre o acidente."
PF - Dois funcionários da Petrobras, o chefe de tecnologia, José Gabriel Tinoco, e o gerente de operações, Mário César de Passos da Costa, da área de Dutos e Terminais do Sudeste (DTSE), não souberam informar, em depoimento na sede da Polícia Federal (PF), se o operador de plantão na madrugada do dia 18 comunicou à Refinaria Duque de Caxias (Reduc) que havia diferença no nível de combustível que entrava e saía do duto. O rompimento da tubulação provocou o derramamento de óleo, agravado pela demora em perceber a gravidade da situação.
Durante o interrogatório, Costa isentou a empresa de culpa pelo vazamento. Segundo ele, o procedimento interno da companhia estabelece que os funcionários de plantão devem comunicar de imediato à unidade operacional, no caso, a Reduc, quando há uma diferença no volume combustível recebido de uma unidade para outra. Sendo assim, o bombeamento é interrompido imediatamente.
Ele e Tinoco afirmaram que no momento do vazamento encontrava-se de plantão no turno da madrugada um funcionário chamado Hermes (eles não souberam dizer o sobrenome do funcionário), que teria detectado a diferença do volume recebido pela Reduc. O empregado da Petrobras será convocado pela PF.
Amanhã (01) o ex-superintendente de Meio Ambiente da empresa, José Carlos Moreira, será ouvido pelo delegado Ricardo Bechara. Na época do acidente, Moreira estava de férias, mas mesmo assim foi exonerado do cargo.
O presidente da companhia avocou para si a função, alegando que vai fazer uma reformulação radical no setor ambiental. Por ser funcionário de carreira, Moreira continua na empresa. Nos próximos dias, o presidente da estatal será intimado a depor na PF e deverá ser um dos últimos a ser ouvido.

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