Arquivo FolhaPaula e Guilherme de Pádua

O ator Guilherme de Pádua acusou novamente sua ex-mulher, Paula Thomaz, de ter matado a atriz Daniella Perez, em 1992. O depoimento foi dado ontem depois do início tumultuado de seu julgamento, que deve durar mais três dias. Pádua fez a acusação e disse que no momento da morte ele estava adulterando a placa de seu carro, com uma fita adesiva, para evitar identificação. Em seu depoimento, dado com voz calma e pausada, Pádua sustentou que tinha um relacionamento amoroso, ‘‘de homem e mulher’’ com Daniella e que Paula a matou por ciúmes.
O julgamento do ator começou às 14 horas, foi suspenso das 14h25 até as 17h55. A interrupção foi causada por pressões do advogado de defesa Paulo Ramalho, que se recusava a continuar no Tribunal, caso o perito Mauro Ricart não comparecesse ao julgamento. Ricart, uma das testemunhas convocadas pelo juiz, havia se internado pela manhã no Hospital Samaritano, alegando que estava com uma crise renal. A sessão só foi retomada depois que o juiz José Geraldo Antônio aceitou um acordo feito por Ramalho e os promotores.
Pelo acordo, o juiz aceitou que Ramalho apresentasse no julgamento uma gravação de uma entrevista dada por Ricart para a TV pela manhã. Na entrevista, Ricart diz que a perícia feita no carro de Pádua não constatou vestígios de sangue no banco traseiro e que não havia possibilidade de uma lavagem ter eliminado resíduos.
Com a aceitação da entrevista como um dos elementos da defesa, Ramalho concordou que os promotores apresentassem um laudo técnico que diz que resíduos de sangue podem ser removidos por meio de uma solução que contenha querosene.
O juiz suspendeu o júri após discutir com Ramalho sobre a ausência do perito. ‘‘Ele é testemunha indispensável. É muito estranho que ele desobedeça uma ordem judicial. A defesa precisa do testemunho dele’’, disse Ramalho. Irritado com a insistência de Ramalho, o juiz repreendeu o advogado e decretou a suspensão do julgamento, só reiniciado depois do acordo.
Antes da discussão que levou à suspensão, o julgamento havia sido desmembrado. A outra acusada pelo crime, Paula Thomaz, fora dispensada pelo juiz, apesar dos protestos de Ramalho. O advogado ainda tentou manter Paula no Tribunal, a fim de que fosse acareada com Pádua. O julgamento de Paula ainda não tem data marcada.

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