Agência FolhaCulpado Guilherme de Pádua (na frente do guarda) ouve a sentença de cabeça baixa: homicídio duplamente qualificado



RIO - O ator Guilherme de Pádua, de 27 anos, foi condenado ontem a 19 anos de prisão em regime fechado. O julgamento durou quatro dias. Por 5 votos a 2, os jurados do 2º Tribunal do Júri consideraram Pádua culpado da acusação de ter matado a atriz Daniella Perez na noite de 28 de dezembro de 1992, na Barra da Tijuca. Na sentença, o juiz José Geraldo Antônio afirma que a conduta de Pádua ‘‘exteriorizou uma personalidade violenta, perversa e covarde, quando destruiu a vida de uma pessoa indefesa, sem nenhuma chance de escapar ao ataque do seu algoz’’. O advogado do réu, Paulo Ramalho, disse que só recorrerá se a promotoria pedir aumento da pena.
Ao chegar ao Presídio Ary Franco, após o julgamento, Pádua deu rápida declaração aos jornalistas. Ele disse que já esperava a condenação. ‘‘Não acho justo. As alegações de meu advogado foram melhores que as da acusação. No entanto, ele não pôde receber os louros porque já era um julgamento de cartas marcadas’’, afirmou.
A decisão de Ramalho de não recorrer se deve ao fato de que, quando completar preso um terço da pena, o condenado terá direito a requerer liberdade antes do tempo previsto. Se a Justiça concordar, Pádua será solto após cumprir seis anos e três meses da pena. Como está preso há quatro anos e um mês, ele poderá ir para a rua em março de 1999.
Acusado da prática de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e sem dar à vítima condições de defesa, Pádua poderia receber de 12 a 30 anos de prisão. Ao fixar a pena em 19 anos, o juiz evitou a realização automática de um segundo julgamento.

Promotor tem
cinco dias para
pedir aumento
da pena


RecursoApesar de se dizer satisfeito com a decisão do júri, que acolheu integralmente a tese da acusação, o promotor José Pi¤eiro Filho disse que examinará durante a semana a possibilidade de preparar um recurso tentando aumentar a pena. Ele tem cinco dias para recorrer. ‘‘Não podemos afirmar, mas vamos estudar os fundamentos da sentença. Se ela não for satisfatória, podemos recorrer’’, afirmou.
De cabeça baixa, Pádua ouviu a sentença às 7h55. Logo em seguida, foi levado para o presídio. Ramalho pediu ao juiz que mantenha Pádua nessa prisão por ele estar adaptado. O juiz disse que decidirá depois.
Após o fim dos debates da promotoria e acusação, as partes desistiram da réplica e da tréplica, fases que antecedem a votação dos jurados na sala secreta.
Os jurados ficaram na sala secreta das 6h10 às 7h50. Em cinco quesitos, a defesa foi derrotada por 5 votos a 2. No quesito que falava da motivação torpe, a derrota foi por 4 a 3. Ramalho retirou o quesito sobre a acusação de falso testemunho contra a frentista Antônio Clarete.
Ré do processo, a ex-mulher de Pádua, Paula Thomaz, de 23 anos, deverá ser julgada em abril. Ele chegou a comparecer ao Tribunal na quarta-feira, mas o julgamento foi desmembrado. Para a promotoria, a condenação de Pádua não exercerá influência no julgamento de Paula. ‘‘Cada júri é um júri’’, afirmou o promotor Pi¤eiro Filho.

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