O aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 80% para 119%, em Jundiaí, no interior de São Paulo, levou os padres da Igrejas Católica da cidade a fugirem do culto tradicional, nas missas de ontem. Eles criticaram os vereadores, que votaram o projeto na calada da madrugada do dia 26, e também os jornais e emissoras de rádio e TV de Jundiaí, que não noticiaram o aumento, como se fosse um ‘‘segredo’’.
O padre Norberto Savietto, da Igreja Santa Terezinha, na Vila Rio Branco, disse que o que ele falou ‘‘não causa dor’’. ‘‘Só um peso na consciência dos vereadores’’, afirmou. ‘‘O que eles fizeram causa dor para essa gente que passa fome’’, disse. O padre disse que gostaria de falar diferente, ‘‘mas os políticos hoje fazem muitos conchavos, e estão amarrados’’. ‘‘Falei e digo de novo: é o povo quem paga.’
Norberto disse que além dele, o monsenhor Joaquim Carreiras, da Matriz de Jundiaí, colocou avisos aos fiéis, na Catedral. Na edição de ontem, ‘‘O Verbo’’, jornal editado pelo bispo, d. Amaury Castanho, e distribuído nas igrejas, trouxe matéria do padre Paulo André Labrosse, da Igreja Santo Antônio, do Anhangabaú. Ele diz aos fiéis que a imprensa pratica o noticiário ‘‘chapa-branca’’ e se tornou omissa na missão de informar e formar. ‘‘Somos cidadãos e o prefeito não é imperador’’, comenta.
Os fiéis que acompanhavam a missa de ontem apoiaram os padres. Vitória Rossi Delfino, de 51 anos, funcionária do Fórum de Jundiaí, disse que o aumento foi ‘‘exagerado’’ e que o padre ‘‘é um líder do povo, que deu uma informação para um povo castigado’’. O mecânico Giomar Rodrigues, de 41 anos, disse que a Igreja não serve só para rezar, mas para ‘‘ver o que está em nossa volta’’.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, Eliseu Silva Costa, que estava na missa, apoiou o padre. Ele disse que a categoria sofre com a ameaça de desemprego e questiona: ‘‘Como vamos pagar 100% de aumento? É obrigação dos padres informar do aumento.’

mockup