A comemoração do Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, ontem em Jataizinho (21 Km a leste de Londrina), na ponte sobre o Rio Tibagi, teve a participação de aproximadamente 200 pessoas, a maioria estudantes, e quatro padres da região. A celebração foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Igreja Católica. A participação de algumas turmas de alunos da Escola Estadual Professor Pedro Viriato Parigot de Souza engrossou o movimento.
A ponte foi interditada por mais de meia hora para a celebração da bênção simbólica do Rio Tibagi. A interrupção do tráfefo de veículos deixou muitos motoristas revoltados.
Representantes da CPT falaram sobre os prejuízos sociais e ambientais que a possível construção da usina hidrelétrica em São Jerônimo da Serra poderia trazer àquela região, principalmente às cinco aldeias indígenas localizadas na bacia do Rio Tibagi.
Durante a cerimônia potes e saquinhos com água retirada do rio foram abençoados. A água dos potes foi devolvida ao rio e os potes atirados no asfalto. Já os saquinhos foram distribuídos entre os motoristas apressados que cruzavam a ponte após sua liberação.
O padre Zenildo Megiatto, de São Pedro do Ivaí, coordenador da CPT/PR, disse que a celebração tinha o sentido simbólico da vida e reforçava o perigo que a construção da barragem representa. Wagner Roberto do Amaral, agente da pastoral de Londrina, disse que as discussões sobre a usina não repassam à população toda a informação necessária. Ele destacou a existência de novas alternativas de produção de energia, que estão sendo utilizadas em países da Europa e que não implicam em prejuízos ao ambiente.
A proposta da construção da usina foi debatida durante audiência pública realizada em São Jerônimo da Serra no último dia 8.
Conforme informação da doutora em química ambiental do departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina, Maria Josefa Santos Yab, o represamento do Rio Tibagi ‘‘traria modificações drásticas’’ à qualidade da água, sobretudo na região do lago da barragem. O lago serviria como uma espécie de depósito de todos os resíduos lançados no solo da bacia, como por exemplo agrotóxicos.
Durante a reunião, o presidente da Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA) de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, solicitou um estudo sobre as alterações que sofreriam as águas do Rio Tibagi, responsável pela maior parte do abastecimento de água da cidade. Ele oficializou pedido de uma nova audiência pública, para tratar a questão da água, desta vez em Londrina, mas ainda não teve resposta.
A água será também o tema da 16ª Romaria da Terra, organizada pela CPT e que acontece no dia 19 de agosto.

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