Londrina - A juíza da 6 Vara Criminal de Londrina, Zilda Romero, acatou pedido pela prisão domiciliar do padre Marco Túlio Simonini. O sacerdote é acusado de ter abusado de duas crianças no Thermas de Londrina (Zona Leste), crime ocorrido em novembro dentro da piscina do clube.
A promotoria pública promete recorrer da decisão para que o réu responda o processo na penitenciária. ''As pessoas colocam que abuso só se torna crível quando há marca, mas vai muito além. Houve alteração das testemunhas sim, mas outras confirmaram o crime com riqueza de detalhes. A promotoria não tem dúvidas que houve o abuso'', enfatizou a promotora Suzana Lacerda.
Alguns desses detalhes foram repassados à reportagem por testemunhas. Semana passada, duas delas confirmaram à imprensa que o sacerdote estava excitado ao deixar a piscina. As crianças estariam fazendo tratamento psicológicos.
Simonini era mantido na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) II. Um dos fatores que contribuiu para a prisão domiciliar é que o réu sofre de depressão e está diagnosticado com mononucleose infecciosa (vírus Epstein barr), também conhecida como ''Doença do beijo'' e transmitida pela saliva. ''Ele continua com o tratamento e tomando medicamentos. Também argumentei que houve alternâncias dos fatos que determinavam a prisão preventiva dele. A situação fática das testemunhas perdeu força'', comentou o advogado de defesa, Walter Bittar.
A FOLHA apurou que um dos seguranças do clube, que teria flagrado o abuso na piscina, retirou a acusação contra o padre. ''Sempre se tratou de uma questão de interpretação e precipitação das situações. Na minha opinião, este caso envolve preconceito'', defendeu Bittar.
Ontem, quatro pessoas foram ouvidas no processo. No entanto, todas evitaram falar com a imprensa em virtude do caso correr sob sigilo judicial. O depoimento de uma testemunha será feito por carta precatória, em Caxias do Sul (RS). O interrogatório do sacerdote também ocorreu ontem.
Tanto a defesa como a acusação requereram diligências, o que pode adiar ainda mais a sentença. A expectativa é que o veredicto final seja anunciado em fevereiro.

Cerceamento
A imprensa foi impedida de mostrar o réu na audiência de instrução. Ontem, um recado foi deixado na porta da 6 Vara Criminal de Londrina informando a restrição. ''Determino a proibição de que o acusado seja filmado ou fotografado dentro da sala de audiência da 6 Vara Criminal. A exposição de qualquer pessoa sem a devisa autorização enseja dano passível de indenização'', descrevia parte da carta assinada pela juíza Zilda Romero.
Durante a audiência, a imprensa teve que deixar as dependências da 6 Vara quando o réu foi ao banheiro. Após a audiência, Simonini deixou o Fórum de Londrina pela saída de emergência.

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