Padre Silvio vai responder acusações em liberdade
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Depois de passar 36 horas preso, primeiro na Delegacia de Ibiporã e depois no Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDRL), o padre Silvio Andrei foi solto no início da tarde de ontem e deve responder pelas acusações em liberdade. Andrei, que é pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, em São Paulo, foi preso na madrugada do último domingo acusado de embriaguez ao volante, corrupção ativa e ato obsceno.
O padre deixou o CDRL por volta das 14h30 em companhia do diretor da unidade, major Raul Vidal, sem que ninguém da imprensa conseguisse vê-lo. Segundo o major, o padre não dormiu a noite toda, tomou um café da manhã leve e não quis almoçar. ''Ele ficou numa sala isolada e se encontrava muito abatido. Tomou apenas um chá e não quis comer nada'', disse o diretor do CDRL. Dezenas de pessoas foram até a unidade visitar o padre, mas ele recebeu apenas a visita do padre Júlio Akamine, reitor provincial da Congregação dos Palotinos em São Paulo.
Ao sair da unidade, o padre foi até o Fórum de Ibiporã onde assinou o alvará de soltura concedido pelo juiz Sérgio Aziz Neme sem necessidade de pagamento de fiança. O advogado de Andrei, José Adalberto Almeida Cunha, explicou que o juiz entendeu que o padre cumpre os quesitos do artigo 310 do Código Penal. ''Entre alguns desses quesitos constam ele ter residência fixa, emprego e não ter antecedentes criminais'', disse.
Ainda segundo o advogado, o juiz não chegou a indeferir o pedido de liberdade provisória dele em nenhum momento. O que houve, disse ele, foi a falta de documentação para que todo o trâmite pudesse ter sido realizado. ''Agora ele vai ficar na casa de familiares em Londrina. Depois será intimado a comparecer ao Fórum, assim como os policiais envolvidos no episódio também serão. Ele poderá sair de Londrina somente com o consentimento do juiz'', detalhou.
Cunha disse ainda que os crimes pelos quais ele está sendo acusado não devem somar o máximo de quatro anos. ''Como ele responde todos os quesitos do artigo 310, se o juiz entender, poderá responder, caso venha a ser condenado, em liberdade'', analisou o advogado.
Em nota, a Arquidiocese de São Paulo disse ter recebido com ''perplexidade'' as notícias sobre a prisão e as acusações imputadas ao padre. ''A Arquidiocese de São Paulo deseja que os fatos sejam plenamente esclarecidos, antes de se pronunciar sobre as notícias divulgadas, ou de tomar as providências cabíveis'', diz a nota. A arquidiocese pede que sejam dados ao padre os direitos previstos em lei, ''e que sejam evitados o julgamento e a condenação antecipados''.


