Padre quer multar noivas atrasadas
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Londrina - Noivo ao pé do altar, convidados esperando ansiosamente, padre pronto para dar início à cerimônia. Tudo pronto para o grande momento. E nada dos primeiros acordes da marcha nupcial tomarem conta da igreja. Tudo porque o atraso da noiva há muito deixou de ser um possível imprevisto para tornar-se um hábito arraigado à cultura brasileira.
As noivas atrasadinhas podem estar com os dias contados. Pelo menos é o que pretende o padre Roberto Carrara, 71 anos, da Catedral Nossa Senhora Aparecida, em Apucarana (Norte). Na missa de domingo passado, os 1,3 mil fiéis presentes na Catedral Nossa Senhora de Lourdes foram os primeiros a saber da decisão do religioso de multar quem não respeitar o horário agendado.
A notícia, no entanto, repercutiu imediatamente, uma vez que as celebrações na Catedral são transmitidas ao vivo pela internet. Por conta da repercussão, o padre Carrara passou o dia de ontem inteiro concedendo entrevistas. Oportunidade para deixar bem claro, tanto para os católicos apucaranenses e quem mais tiver tomado conhecimento da medida, qual foi seu objetivo.
''Está se criando uma cultura do atraso no casamento. Os noivos acham que chegar atrasados no casamento é chique. Houve caso de noiva que marcou o casamento às 20h30 e me disse que ia chegar às 21h30. Ela chegou uma hora atrasada. Pedi desculpas para ela e para os convidados e decidi agiilizar um pouco o casamento, fazendo somente as partes essenciais'', relata.
Para o padre, a cerimônia não precisa exceder 45 minutos. Tempo necessário para se valorizar o que realmente é importante no matrimônio. ''Não é um ato social. Estou celebrando um ato instituído por Deus'', ressalta.
E autoridade no assunto não falta ao religioso. Nascido em Jaú, no interior de São Paulo, padre Carrara chegou a Apucarana em 1969. O único período fora da cidade foi de 1993 a 2007, quando autou no Vaticano justamente na liturgia da celebração dos sacramentos. E a experiência mostrou que no exterior também existe a cultura do atraso, mas não tão exagerada quanto a das noivas brasileiras.
Engana-se quem pensar que o padre Roberto Carrara é radical em relação à pontualidade nos casórios. Ele admite que a entrada da noiva ocorra dez, 15 minutos depois do previsto. O problema, destaca, é ''planejar chegar atrasado.''
Até por isso o apoio dos paroquianos foi ''total.'' Tanto que o anúncio na missa foi seguido de aplausos, relata Carrara. Outra prova de que o objetivo não é radicalizar contra as noivas atrasadas é a possível punição para quem deixar noivo, padrinhos, convidados e padre esperando na igreja.
Carrara não confirmou a informação, divulgada em sites de notícia de todo o País, de que o desrespeito custaria R$ 500 aos casais. Nem o valor nem a forma de cobrança estão definidos. ''Isso depois a gente estuda. Foi mais um aviso para os noivos não cheguem atrasados. Somente isso. Depois, de acordo com a situação, definimos isso. Se for necessário, vamos ver como vamos agir'', declarou. Tanto que desde o anúncio nenhuma noiva foi multada. Pelo menos até ontem.


