Salvador- O padre José Pinto desistiu de desfilar no afoxé Filhos de Gandhy, ver a saída do bloco afro Ilê-Ayiê e circular pelos camarotes de Gilberto Gil e Daniela Mercury. Ele não vai mais ''brincar'' o Carnaval baiano e nega que tenha recuado após conversar com o superior geral da Congregação Sociedade das Divinas Vocações (da qual faz parte), Ludovico Cabullto, que se deslocou de Roma para tratar do seu caso.
A justificativa para eliminar a agenda carnavalesca, disse, é o cansaço. ''Quero aproveitar o período da festa para descansar, pintar e além do mais estou sem dinheiro'', disse.
Os problemas financeiros causados pelo afastamento da Igreja da Lapinha, que o impede de celebrar missas e batizados, levou padre Pinto a se oferecer para fazer propaganda, aproveitando sua exposição excessiva na mídia nas últimas semanas. Indagado se seria garoto-propaganda apenas de artigos religiosos, respondeu que topa tudo. ''Só não posso fazer propaganda de uma sexy shop'', brincou.
Embora negue, a conversa com Cabullto parece ter ''domado'' o padre que escandalizou setores do clero baiano celebrando missa vestido de Orixá e participando de festas pré-carnavalescas. Além disso, padre Pinto fez pesadas acusações à Arquidiocese de Salvador afirmando, entre outras coisas, que foi obrigado a mentir ao defender a instituição e que teria sido ''drogado'' durante a Festa da Lapinha quando se vestiu de Orixá.
Padre Pinto assegura que não recebeu nenhuma repreensão do superior. ''Ele tem uma mente aberta, já trabalhou nos Estados Unidos e me convidou a visitar e levar minha arte para os núcleos da congregação espalhadas pelo mundo'', contou, dizendo que pretende aceitar o convite no futuro.

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