Salvador- O padre José Pinto, punido com afastamento da sua paróquia da Lapinha, em Salvador, após ter se fantasiado de orixá na Festa de Reis, voltou a se comportar de forma ''desafiadora'' no fim de semana. Ele participou do Festival de Verão e, entre outras coisas, beijou Caetano Veloso na boca.
Pela primeira vez desse o início do problema, criticou diretamente seu superior hierárquico na Igreja Católica, o cardeal-arcebispo de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, a quem acusou de ser um ''despreparado artisticamente''. Para completar, organizou uma passeata para pedir seu retorno à paróquia da Lapinha.
A ''agenda'' de padre Pinto começou no sábado à noite quando ele participou do júri que escolheu a ''Rainha do carnaval'' do bloco afro Ilê-Ayiê. Com um chapéu de caubói, maquiado, de blazer branco e por baixo vestindo uma camiseta do Ilê, o que mais chamava a atenção no padre era o comportamento: mesmo sentado ele levantava os braços dançando e movimentava a língua.
Às vezes bebericava cerveja de um copo. Depois do concurso, atendeu ao pedido de um grupo de pagode chamado ''Psirico'' e subiu ao palco para ''abençoar'' o público.
Antes de deixar o local fez críticas à cúpula do clero baiano pelo afastamento da Lapinha e por ter sugerido que ele fosse fazer tratamento em Roma. Segundo ele, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Majella Agnelo, teria errado duas vezes por o acusar de ser louco e querer interná-lo num sanatório na Itália.
O padre classificou Dom Geraldo de pessoa ''despreparada artisticamente'' e de ter uma cultura ''castrada e castradora''.
Anteontem ele organizou uma passeada com cerca de 150 paroquianos nas ruas da Lapinha. Vestia a batina preta dos padres seculares, estava sem maquiagem, mas admitiu a pintura do cabelo. Vários moradores portavam faixas e cartazes no mesmo tom desafiador do padre: ''Alô. Alô cardeal, inquisição foi na Idade Média. Não deu certo, imagine agora'' e ''Perdão, humildade e fraternidade: base do Cristianismo''.

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