Padre pára batismo e se recusa a continuar cerimônia
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Ivan Marcos Machado, especial para a AE 
Jundiaí, SP, 14 (AE) - O padre Jacob Conti, de 73 anos, da Igreja Nossa Senhora do Carmo, de Jarinu, cidade na região de Jundiaí (SP), foi denunciado hoje ao Tribunal Eclesiástico de Campinas, por ter interrompido um batismo, no último dia 2, e se recusado a continuar a cerimônia. Ele alegou que os padrinhos da criança Giovanna Contezini, de um ano, não "frequentam a igreja assiduamente". Revoltados, os parentes fizeram denúncia formal em Campinas. Esse é o terceiro caso polêmico envolvendo religiosos na região, em menos de dois meses.
O primeiro foi um padre excomungado acusado de ter sido amante de uma das fiéis, em Campo Limpo Paulista e com ela ter gerado uma filha. O outro foi do pároco do bairro Caxambu, em Jundiaí, no mês passado, que reclamou do atraso da noiva, em pleno altar. O comerciante de Jarinu, Adílson Norival Teixeira, de 50 anos, que não conseguiu batizar neta, disse que os padrinhos chegaram a frequentar por um bom tempo o cursinho da igreja.
Para ele, o padre Jacob "já passou da hora de se aposentar. Ele está aqui há 33 anos e é ultrapassado", comentou. De nada adianta reclamar ao bispo da diocese, dom Bruno Camberini, de Bragança Paulista, segundo ele, porque outros casos problemas ocorreram no altar nos últimos meses, sem punições. "Foi por isso que procuramos o Tribunal, para fazer a denúncia. Agora vamos aguardar o pronunciamento", comentou.
Os outros casos envolvendo o padre Jacob são semelhantes aos da família da menina Giovanna, disse Teixeira. O pai de uma noiva, um taxista, não pode ir ao altar com a filha, porque é casado pela segunda vez. Uma engenheira não conseguiu batizar sua filha, porque deixou a comissão de festas da paróquia, recebendo advertência por escrito. O padre Jacob Conti disse que não é bravo, mas "enérgico com as coisas de Deus". Tudo o que "precisava falar, já disse aos fiéis", não querendo polemizar ainda mais o caso.
O bispo da dioceses de Bragança Paulista, dom Bruno Camberini não foi encontrado em sua casa. Segundo funcionários da Cúria, ele está em Roma e retorna no dia 1º de junho. O bispo da Diocese de Jundiaí, Dom Amaury Castanho, defendeu as atitudes do padre Jacob. Segundo ele, o padre está exigindo a inserção dos fiéis na comunidade católica, de verdade. Ele reconhece que o padre não pode perder a paciência como nesses casos, mas que a igreja precisa ser rigorosa. "Não queremos uma igreja quebra-galho, com fiéis infantis, mas adultos. É por isso que a igreja está se tornando mais rigorosa a cada dia que passa", comentou.


