Padre Marcelo Rossi reza missa na rua
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Juliana Junqueira e Roldão Arruda 
São Paulo, 11 (AE) - A interdição do galpão onde funciona o Santuário Terço Bizantino, no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, não desanimou o padre Marcelo Rossi nem os fiéis que participam de suas celebrações. Hoje pela manhã ele rezou missa do alto de um trio elétrico, na rua, acompanhado por uma cerca de 15 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. "Para quem ama Jesus esse sacrifício vale a pena", disse o padre aos fiéis. A rua foi interditada com o apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Durante toda a celebração, durante uma hora e meia, Rossi mostrou-se entusiasmado e procurou animar a multidão. "Como é bom estar ao ar livre", dizia. Entre os fiéis, o entusiasmo era correspondido. "Vamos ajudá-lo de todas as maneiras", prometeu Maria Eunice Alves, uma das católicas . "Estamos prontos para travar uma batalha espiritual, com muita oração."
Galpão - O padre anunciou hoje que continuará celebrando missas na rua até a liberação do santuário, que funciona no galpão de uma antiga fábrica, com área aproximada de 8 mil metros quadrados. Em cada uma das missas que vinha fazendo no local, aos sábados, domingos e quintas-feiras, ele reunia cerca de 30 mil fiéis.
O santuário foi interditado na quarta-feira (10) pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), vinculado à Secretaria Municipal de Habitação. Segundo o diretor do órgão, engenheiro Carlos Alberto Venturelli, o telhado do galpão oferecia risco aos fiéis. "Trata-se de uma estrutura metálica relativamente leve, ameaçada pelos ventos e pela ressonância das músicas durante as celebrações", explicou.
Segundo Venturelli o galpão não foi projetado para shows com música. Ele disse que ainda não é possível prever quando o santuário será reaberto. "Vai depender da rapidez com que fizerem as mudanças e do laudo dos engenheiros."
Retorno - O bispo da diocese de Santo Amaro, d. Fernando Figueiredo, acredita que a liberação deverá ocorrer na próxima semana. Ele afirmou que 90% das mudanças exigidas pelo Contru já foram feitas. Também informou que a diocese contratou uma empresa de engenharia para a apresentação de laudos que comprovarão a segurança do local. Tanto o bispo quanto o padre disseram que a missa da próxima quinta-feira já será realizada no santuário.
Os fiéis estão dispostos a acompanhar o padre Marcelo a qualquer lugar. "Mas queremos que a missa volte a ser celebrada aqui", afirmou Neuraci Santos Silva, que saiu de manhã de Taboão da Serra com o filho Ralf, de 2 anos, para assistir à missa. "O padre nos dá ajuda e apoio moral", disse. Celso Vasconcelos, que trabalha em uma empresa próxima do templo, saiu do trabalho para juntar-se aos fiéis. "Vamos rezar e tudo se resolverá", afirmou. "Ninguém vai fazer nada contra o padre, pois cada vez que alguém mexer com ele o povo vai se unir para ajudá-lo."


