Padre Marcelo continua causando polêmica no meio clerical
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sábado, 24 de abril de 1999
Por Roldão Arruda 
São Paulo, 25 (AE) - As ações do padre Marcelo Rossi e sua influência sobre os católicos brasileiros continuam causando polêmicas no meio clerical. O assunto esteve presente no encontro nacional de bispos, encerrado na semana passada em Indaiatuba, no interior de São Paulo. Em sessões privativas, às quais só os bispos têm acesso, ouviram-se restrições indiretas à maneira como Rossi e outros seguidores da Renovação Carismática celebram missas.
Também foram ventilados casos de indisposição entre grupos fiéis que convidam o padre para celebrações nas cidades onde vivem e o bispo local, que discorda. A uma certa altura das conversas, o bispo da Diocese de Santo Amaro, à qual o padre Marcelo está vinculado, levantou-se disse que nunca autorizará visitas dele a regiões onde os titulares diocesanos não desejarem. "Os bispos podem me escrever, dizendo que não estão de acordo, que a partir daí a resposta aos pedidos dos leigos será sempre negativa", disse d. Fernando Figueiredo.
A diocese é área na qual o bispo tem poderes quase totais, como se fosse o super governador de um Estado. Nenhum bispo pode interferir no trabalho do outro e eles só se reportam ao papa, em Roma. O que d. Fernando disse, portanto, serviu apenas para reforçar essas normas. Ele não pôde dizer nada, porém, a respeito de uma outra queixa dos seus pares: a pregação do padre Marcelo por meio do rádio e da TV, que não respeita limite diocesanos e hoje atinge quase todo o País.
Durante as sessões privativas, em várias ocasiões foi sugerido que se estabeleçam normas litúrgicas mais rígidas para os cultos transmitidos por meio de emissoras católicas, como as televisões Rede Vida e Canção Nova. A assembléia episcopal, porém, preferiu não se manifestar. Mesmo que o fizesse, sua ação seria limitada: os programas do padre Marcelo também são transmitidos por emissoras sobre as quais a CNBB não tem nenhum poder de influência.
Relatório - A questão também preocupa os padres. Num recente relatório sobre sua situação no Brasil e que foi apresentado em Indaiatuba, a Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) manifestou "preocupação diante da programação da Rede Vida e da Canção Nova". De acordo com o relatório, essas emissoras, ligadas principalmente à Renovação Carismática Católica, de inspiração neopentecostal, dão "excessivo destaque a um modelo de presbítero, apreentado pela mídia, que não contempla a pluralidade da Igreja no Brasil e seus serviços ministeriais, com suas riquezas culturais e segmentos diversificados".
Outro temor é o de que o sucesso do padre Marcelo possa influenciar os seminaristas. De acordo com formadores de futuros padres, estaria surgindo um tipo de padre que é sobretudo um homem de mídia, com características de animadores de auditório e em busca de resultados imediatos: templos cheios, paróquias organizadas e com bom caixa.


