São Paulo, 20 (AE) - 0 padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, disse que os menores "romperam com o silêncio". Ele se refere ao fato de, nos períodos de aparente calmaria, governo e imprensa não darem a mesma atenção ao problema que nos momentos de rebelião. Reconhecido como principal interlocutor com os infratores, segundo os próprios menores, o padre disse que cenas como a de sábado são apenas uma parte da "peça" que se tornou a Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor.
"Só em horas assim que acaba havendo esse espetáculo, com resultados contraditórios", analisou. "Os meninos não percebem que são os atores que aparecem, porque os que produzem tudo isso não são mostrados na hora em que o problema surge diante das câmeras de televisão; aí, só aparece a violência praticada pelos adolescentes." Lancelotti teme outra consequência além da banalização das rebeliões, a exemplo do que já ocorreu com as chacinas. "Os meninos acabam levando a pior nessa peça, porque levam a sociedade a pensar que se deve diminuir a idade da maioridade penal, o que não resolve o problema." Sobre a indiferença da sociedade, ele disse que há também o risco de as denúncias do dia-a-dia caírem no descrédito. "As pessoas só acordam quando a coisa chega a esse nível."