Padre entra na briga contra gigantes do setor farmacêutico
Um padre católico que mantém um orfanato para crianças com HIV (o vírus que causa a Aids) no Quênia anunciou ontem que planeja importar medicamentos genéricos da Índia e, para isso, pediu a ajuda do governo queniano, apesar das restritivas leis de patentes.
O anúncio somou-se à uma campanha internacional para tornar as drogas anti-retrovirais mais acessíveis para pacientes em países pobres. As companhias farmacêuticas internacionais já estão brigando na Justiça da África do Sul contra uma decisão do governo local de importar genéricos. Muitos temem que as grandes empresas façam o mesmo no Quênia.
Este realmente é o lado escuro do capitalismo, a ganância que vem sendo manifestada pelas companhias de remédio e que está transformando a África subsaariana em refém, disse o padre Angelo DAgostino, um religioso norte-americano que administra o Orfanato de Nyumbani, com cerca de 70 órfãos soropositivos e que trata de até 200 crianças que moram em sua área. Estou cansado de fazer funerais.
Recentemente, o orfanato recebeu verba para comprar medicamentos, mas a aquisição dos remédios patenteados custaria cerca de US$ 500 mensais por criança. O padre DAgostino afirmou que os equivalentes genéricos oferecidos pela empresa Cipla, com base na cidade indiana de Bombaim, custariam US$ 20 por mês.
Entretanto, a importação dos medicamentos mais baratos é ilegal sob as atuais leis quenianas. DAgostino tentará aproveitar uma brecha na legislação sobre patentes para importar as drogas alegando razões humanitárias, mas isso requer a aprovação do governo e vale apenas para quantidades pequenas. (France Presse, de Nairóbi)





