Londrina - Por mais de uma hora o padre João Donisetti Pitondo, de 47 anos, ficou na mira de um revólver e de uma pistola de uma dupla de assaltantes que invadiu a casa paroquial do Santuário Santa Rita de Cássia, em Barbosa Ferraz (Noroeste). O vigia também foi rendido pelos bandidos. O crime aconteceu na noite de terça-feira.
''Era por volta de 21h30, eu estava chegando em casa. Quando entrei na garagem, entraram junto e me renderam. Queriam dinheiro e faziam ameaças, dizendo que poderiam me matar se fosse preciso. Após pegarem o dinheiro e bens pessoais, pediram mais, seguindo para a secretaria paroquial depois de me obrigarem a chamar o vigia para que também pudessem rendê-lo'', relatou o padre.
Em seguida, levando em torno de R$ 1,5 mil e objetos pessoais do sacerdote, os ladrões fugiram na picape da igreja, uma Strada. ''Um deles aparentava ter aproximadamente 50 anos e o outro 20 e deu para perceber que as armas não eram de brinquedo'', relatou Pitondo.
Sobre o sentimento de estar sob a mira de armas, ele sintetizou. ''O que se sente é medo. Imaginei que pudesse passar a ser apenas uma estatística, um padre que foi morto. Mas é importante pensar também que a nossa vida é mais importante que tudo, é preciosa, apesar de não valer nada para aqueles que te apontam a arma. O fundamental é não reagir'', declarou.
Em 2006, ele também foi vítima de roubo, sendo rendido em situação semelhante por oito homens armados. ''Eles (os ladrões) pensam que, por ser um santuário e ter movimento, temos dinheiro. Porém, não temos'', destacou.
O veículo usado pelos ladrões para a fuga foi localizado, abandonado, perto da igreja, horas depois do assalto.
Delegacia
Na tarde de ontem, o delegado de Barbosa Ferraz, Juarez Dias, disse à FOLHA que ainda não havia iniciado as investigações para localizar os assaltantes. ''Não me inteirei dos fatos ainda'', confessou. ''Estou sem investigador. Somos apenas eu, um escrivão e um funcionário terceirizado que cuida dos 26 presos que estão na carceragem. Estou pedindo 'pelo amor de Deus' para mandarem um 'tira' para cá, para me ajudar. Atualmente, bato o escanteio e corro para cabecear'', desabafou.
Também procurada pela Reportagem A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Paraná (SESP), preferiu não se manifestar sobre o assunto

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