São Paulo- O Tribunal de Justiça de Goiás concedeu liminar ontem autorizando a soltura do padre Moacir Bernardino da Silva, 60, e do pároco Dairan Pinto de Freitas, 23. Ambos foram presos preventivamente na segunda-feira por suspeita de envolvimento na morte do padre Adriano Moreira Curado em 17 de abril de 2002, por envenenamento.
O pedido de habeas corpus feito pela defesa foi julgado pelo desembargador Byron Seabra Guimarães. Segundo um dos advogados de defesa, Luiz Inácio Medeiros, ''falta fundamentação na acusação'' contra o padre Moacir e Freitas. ''Os motivos alegados não são suficientes.''
O padre estava em seu sítio, no município de Guapó (40 km de Goiânia), quando foi detido por policiais da Delegacia de Homicídios da capital. Freitas foi preso em Bela Vista de Goiás (52 km de Goiânia). Eles foram levados para a carceragem da delegacia.
A ordem de prisão dos dois religiosos foi dada pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1Vara Criminal de Goiânia, com base na denúncia oferecida pelo promotor Élvio Vicente da Silva. O caso tramita em segredo de Justiça e a liminar concedendo o habeas corpus ainda pode ser cassada antes da conclusão do processo. O promotor deve decidir amanhã se irá recorrer.
Segundo o delegado Eurípedes da Silva, da divisão de Homicídios, há indícios de que o padre Moacir e o pároco envenenaram o padre Adriano no café da manhã, dois dias após ele assumir a paróquia Bom Jesus, onde os religiosos atuavam em Goiânia, com uma ''proposta moralizadora''.
''Eles (os acusados) tinham interesses em jogo, em razão do dinheiro para administrar a diocese. Haviam seis pessoas no local no dia do crime e, por exclusão, chegamos aos dois. Há ainda o relacionamento homossexual que eles (o padre Moacir e o pároco) mantinham e queriam esconder'', disse o delegado. A defesa dos dois nega todas as acusações.
De acordo com Silva, Freitas admitiu o envolvimento afetivo com o padre Moacir durante uma acareação com um seminarista que teria flagrado uma relação sexual dos dois. O advogado deles disse não conhecer esse fato.
No sítio do padre Moacir, foram apreendidas revistas pornográficas e fitas de vídeo de viagens e festas frequentadas pelos dois, que também tiveram o sigilo telefônico quebrado. ''Esse material não comprova a autoria do assassinato, mas atenta contra a moral deles'', afirmou o delegado.

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