Curitiba - Uma aventura nos céus do Litoral paranaense não terminou bem para o padre Adelir Antônio de Carli, 41 anos, da Paróquia São Cristóvão, de Paranaguá. A intenção era voar -suspenso por cerca de mil balões cheios de gás hélio- por 20 horas, saindo de Paranaguá em direção à região dos Campos Gerais. Ele decolou às 13 horas de domingo e, logo depois, começou a ter problemas. Por causa do mau tempo, o padre foi arrastado pelos ventos fortes para longe da costa, caiu no mar e desapareceu. Até o fechamento desta edição, Carli continuava desaparecido.
O subcomandante do Corpo de Bombeiros para o Litoral, capitão Jonas Emanuel Pinto, relatou que padre Adelir fez um penúltimo contato com os bombeiros de Guaratuba, às 20h44, e pelas coordenadas que passou ele estaria a 15 quilômetros ao sul de São Francisco do Sul (SC). ''Apesar de consciente, ele estava tenso. Nós tentamos acalmá-lo e passamos orientações para que usasse os próprios balões para flutuação no mar. Mas, as condições do mar e do tempo não eram nada favoráveis'', contou o capitão.
No último contato, às 21 horas, com o Grupo de Rádio-Patrulhamento Aéreo (Graer), da Polícia Militar de Santa Catarina, o padre já estava quase tocando a água. Pedaços de balões foram encontrados no mar de São Francisco do Sul. As buscas estavam sendo feitas pelo Corpo de Bombeiros de Guaratuba, Capitania dos Portos de São Francisco do Sul, dois barcos de varredura da Marinha, um avião da Força Aérea e um helicóptero do Graer.
De acordo com o tenente do Graer, Iagã Cota, o padre Adelir teria caído no mar a cerca de 20 quilômetros da costa de São Francisco do Sul. Era nessa região que as buscas aéreas e por mar estavam concentradas. No mar de Penha (SC) também foram encontrados pedaços de balões e cabos. Possivelmente, Carli desprendeu alguns balões, ainda em vôo, para evitar que continuasse subindo.
O vôo com balões era uma tentativa de promover as atividades da Pastoral Rodoviária -organização liderada pelo padre Adelir, que dá apoio espiritual aos caminhoneiros que passam por Paranaguá. Em janeiro, o padre já havia feito outro vôo, percorrendo cerca de 100 quilômetros entre Ampére (57 km a oeste de Francisco Beltrão) e San Antonio, na Argentina, durante quatro horas.
Denise Gallas, conselheira da Pastoral Rodoviária, disse acreditar que o padre está bem e aguardando o resgate. Segundo ela, a cadeira usada no vôo serviria para flutuar em caso de pouso na água. Ela explicou que o padre pretendia arrecadar recursos para concluir as obras da ''Casa de Acolhida do Caminhoneiro''.

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