Padre e dois militantes do MST ficarão presos em Belém
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 17 (AE) -A Delegacia de Investigações e Operações Especiais do Pará (Dioe) vai manter presos os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra Adiel Dourado Rodrigues e Luís José de Jesus Abreu, além do frei franciscano Francineto Abreu Pinheiro. Os três são acusados por quatro testemunhas de terem participado do quebra-quebra na Secretaria de Defesa Social.
"Houve flagrante e, por isso, eles ficarão à disposição da Justiça", informou o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Vicente Costa. Ele disse que a advogada da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Martha Barriga, foi levada para a Dioe porque estava "obstruindo o trabalho policial, tentando evitar prisões". Ela foi liberada depois de prestar depoimento. "Fui reclamar da violência física que eles (os policiais) estavam usando contra os presos, que apanhavam antes de entrar na viatura", justificou a advogada.
Nega - "Eu não atirei pedra em nada. Estava apenas fotografando a manifestação para o MST", disse Adiel Dourado, na Dioe. "Levei um soco pelas costas e me atiraram feito uma pedra dentro do carro da polícia", contou o frei Francineto. O frei atua na Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Belém.
Crime premeditado - O governador Almir Gabriel esteve no prédio depredado, conferindo os prejuízos com o secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, e do senador Luiz Otávio Campos (sem partido). Para o governador, o que houve "foi um crime premeditado, feito por vândalos que dizem defender a liberdade e os que foram sacrificados em Eldorado dos Carajás, mas que, no fundo, têm como objetivo buscar uma reação que os coloque no papel de vítimas".
O secretário afirmou que a ação dos manifestantes o surpreendeu: "Eles fizeram essa barbaridade toda e foram embora como se nada tivesse acontecido. Foi um tapa na cara da sociedade paraense."


