Padre critica PM durante sermão
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segunda-feira, 02 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Unaí, MG- O padre Geraldo DAbadia Pires Machado usou o sermão da missa dominical de ontem, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, para criticar a Polícia Militar por ter aceitado financiamento de fazendeiros para formar uma patrulha rural. Isso eu não posso aceitar porque o dinheiro determina a forma de agir da polícia, disse o padre, que afirmou ter ouvido comentários de que na região há a prática de trabalho escravo, ao contrário do que dizem as autoridades locais. Mas o padre ressaltou nunca ter visto pessoalmente trabalhadores nesta situação.
Filho de trabalhadores rurais e nascido em Unaí, Geraldo DAbadia rezou a missa praticamente para a elite da cidade, formada em sua maioria de fazendeiros. Mesmo assim, fez um sermão severo, baseado nas informações de que o batalhão da PM na cidade usa carros de patrulhamento no campo financiados por condomínios rurais, uma espécie de cooperativa de fazendeiros locais. Na missa, ele evitou, no entanto, tratar diretamente da morte dos três auditores fiscais e o motorista do Ministério do Trabalho, preferindo um curto comentário: Há alguma coisa escondida. Ninguém mata de graça.
Ressaltando a existência de bons fazendeiros, o padre afirmou que na região de Unaí ainda existem fatos que podem comprovar a situação de trabalho degradante a que algumas pessoas são submetidas. Ainda existe muita humilhação ao trabalhador. Como filho de trabalhador eu vejo isso, afirmou ele, contando que passou por várias situações, sendo que uma delas envolvia a própria PM. Íamos de caminhão para uma romaria, mas fomos abordados pela Polícia Militar que revistou todas as pessoas, a maioria mulheres, enquanto que caminhonetes de fazendeiros passavam sem serem molestados.


