A Promotoria da Vara da Infância e Juventude vem constatando a redução na idade das vítimas de violência sexual. O último caso denunciado de crime desta natureza em Londrina teria vitimado uma menina de três anos. O suspeito: o padrasto. E a mãe pode ter sido conivente.
O abuso foi revelado ao pai pela própria vítima há cerca de 10 dias. ''Ela falou o nome dele (do padrastro) e contou que ele tinha mexido nela e que a mãe sabia. Quando olhei, vi que seu órgão genital estava inchado e machucado'', contou o pai. O Conselho Tutelar foi acionado, exames foram realizados no Instituto Médico Legal (IML) e foi feita avaliação psicológica no Centro de Referência em Assistência Social-3 (Creas-3). Os laudos ainda não ficaram prontos. O pai, que tem a guarda provisória, adiantou que vai lutar para ficar com a menina definitivamente. Os pais biológicos se separaram há cerca de três anos e fazia um ano que a menina vivia com a mãe e o padrasto. Os dois não foram presos.
O conselheiro tutelar Alisson Moreira Poças, que atendeu a denúncia, garantiu que todas as medidas de proteção à criança já foram tomadas mas advertiu: ''Neste caso temos que agir com responsabilidade porque envolve uma criança muito pequena e as psicólogas e assistentes sociais do Creas têm mais dificuldade para detectar a agressão. E tem ainda o agravante de que a mãe pode ter sido conivente''.
Poças comentou que é a primeira vez em dois anos de atuação que atende suspeita de abuso contra vítima de tão pouca idade. Mas, segundo ele, nem sempre as agressões são denunciadas. ''Muitas vezes, a família esconde para não enfrentar a situação. Noutras, os familiares são coniventes e entre proteger o filho e o companheiro opta pelo último.''
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, comentou que os casos de pedofilia estão em ascenção e que ''a idade das vítimas está diminuido''. Ela citou exemplo de um caso que acompanha onde dois irmãos, de três e cinco anos, foram violentados por um tio de 17 anos. O adolescente está apreendido. ''Persiste esta situação de que a criança tem sempre uma relação de afeto e confiança com o agressor'', lamentou. Édina alertou que é importante que pessoas próximas às crianças - familiares, professores, vizinhos - fiquem atentas. ''A criança, principalmente aquela com mais idade, não dá sinais de que está sendo violentada, ao menos que se sinta segura para falar.''

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