Padilha é criticado por base política do governo no Congresso
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terça-feira, 27 de julho de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Brasília, 28 (AE) - O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha
foi objeto hoje de críticas de líderes da base política do governo no Congresso, que apontam sua inabilidade como a principal razão para o movimento dos caminhoneiros ter tomado a proporção que tomou.
Esses líderes informaram que Padilha foi alertado, ainda em maio, pela Associação Nacional de Transporte de Cargas (ANTC) e pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) sobre o problema que o valor do pedágio nas rodovias federais estava causando no custo do frete.
O superintendente executivo da ANTC, Alfredo Perez, esteve pessoalmente com Padilha para conversar sobre a insatisfação dos caminhoneiros com o custo do transporte no Brasil, que subiu 62% desde a implantação do Plano Real, em 1994. Os caminhoneiros não estão conseguindo repassar para o preço do frete essa elevação de custo por causa da queda do volume de carga decorrente da recessão econômica.
Um dos líderes do movimento grevista, Nélio Botelho, presidente da União Brasileira de Caminhoneiros, também não teria conseguido marcar uma audiência com Eliseu Padilha há 20 dias. Botelho queria, segundo um político governista, colocar o ministro dos Transportes a par das dificuldades vividas pela categoria e abrir um canal de negociação. Não conseguiu, pois Padilha não o recebeu.
Por iniciativa da CNT e da ANTC, a Comissão de Transporte da Câmara dos Deputados chegou a criar, ainda em maio, uma Sub-Comissão Permanente do Pedágio, com o único objetivo de discutir e propor soluções para esse problema. A sub-comissão pediu ao Ministério dos Transportes cópias dos contratos de concessões das rodovias federais para estudar saídas para o problema do pedágio, mas até agora não recebeu resposta.
Providências - O presidente da CNT, Clésio Andrade, foi convidado hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para uma conversa no Palácio do Planalto. A avaliação que o presidente da CNT fez a Fernando Henrique Cardoso é que a greve dos caminhoneiros é um movimento de base, que surgiu nos postos de combustíveis em função das dificuldades surgidas com os últimos aumentos do óleo diesel e do pedágio nas rodovias federais. Por ser um movimento de base, Andrade disse que é difícil identificar lideranças representativas que possam negociar com o governo.
Na conversa com o presidente, Andrade sugeriu que o governo adote quatro providências. A primeira é suspender novos aumentos do óleo diesel. Os transportadores estão preocupados com a notícia de que brevemente o Ministério da Fazenda autorizará novo aumento do diesel.
Outra sugestão é que seja reduzido os valores dos pedágios nas rodovias federais. Clésio Andrade disse ao presidente que em outros países o veículo pesado paga proporcionalmente menos do que no Brasil.
A terceira providência é o aumento de 20 para 40 pontos para a suspensão da habilitação dos motoristas profissionais por causa de infrações no trânsito. A última sugestão foi a criação de uma Polícia Especial para punir a corrupção existente na Polícia Rodoviária Federal. Clésio Andrade disse a Fernando Henrique Cardoso que a corrupção dos policiais é hoje um dos maiores tormentos do caminhoneiro.


